Princípios, Competências e Habilidades requeridas de Daniel e seus companheiros (falando de educação)

danielNos grandes “fóruns” de educação sempre houve e haverá espaço para a reflexão do tipo de educação que uma instituição, um movimento ou uma nação deve oferecer para seus educandos: que tipo de educandos queremos formar? Para que tipo de sociedade estamos formando nossos alunos? Que tipo de cidadãos estamos preparando para a nossa sociedade?

Numa perspectiva bíblica, buscamos de Deus que tipo de educação devemos oferecer aos Seus filhos para que possam servi-Lo em Seu Reino. Que tipo de geração devemos formar para reinar com Cristo no mundo de hoje?

O Livro de Daniel nos revela uma geração de moços de qualidades extraordinárias que receberam toda uma série de instruções que os distinguiram a tal ponto que foram escolhidos para ocuparem as mais altas posições de comando do mundo de sua época. Princípios bíblicos de todas as áreas da vida são encontrados na formação desses jovens que foram valiosos naquela época como ainda são nos dias de hoje.

Temos uma fonte rica de referências para educarmos uma geração que será totalmente separada por Deus para governar na Babilônia de hoje (mundo), confrontando todo o tipo de oposição possível ao estabelecimento do Reino de Deus aqui na Terra. O registro dessa visão ou revelação da educação de Daniel tem como objetivo principal a inspiração de pais e educadores na sua tarefa divina de educar filhos e alunos para reinar com Cristo.

I – A BAGAGEM DE DANIEL E SEUS AMIGOS

 Os primeiros versículos do capítulo l do livro de Daniel informa-nos da situação que Jerusalém chegou: sitiada por Nabucodonossor, rei de Babilônia. Quem tinha feito isto? O Senhor. Sim. O Senhor entregou nas mãos de  Nabucodonossor o rei de Judá e alguns dos utensílios usados no Templo. Deus tinha o controle total daquela situação. Aliás, aquela situação já era prevista desde os tempos do Deserto. Foi também profetizada por Jeremias.

Dos utensílios usados no Templo ,  Nabucodonossor levou-os para a casa do seu deus, na terra de Sinear, como um tesouro conquistado para ou pelo seu deus. Da mesma forma, podemos fazer um pararelo dos utensílios humanos,  que foram levados para Babilônia: filhos de Israel.

Nabucodonossor queria tirar proveito de todos os tesouros escondidos daquela terra prometida e cobiçada. Pediu que Aspenaz, chefe de seus eunucos, trouxesse alguns dos filhos de Israel: assim da linhagem real como dos nobres, jovens sem nenhum defeito, de boa aparência, instruídos em toda a sabedoria, doutos em ciência, e versados no conhecimento, e que fossem competentes para assistirem no palácio do rei.

Aspenaz não teve tanto trabalho em descobrir este tipo de jovem que o rei de Babilônia requisitava para o seu quadro de servidores. Encontrou vários, mas de Judá, alistou Daniel, Hananias, Misael e Azarias.

Ele sabia exatamente o que seu rei  queria portanto deve ter sido bastante exigente no teste de avaliação dos rapazes, afinal a requisição era rica em detalhes e qualificações.

Vejamos o que estes rapazes deveriam trazer em sua bagagem educacional:

  1. Origem familiar:

   … “assim da linhagem real como dos nobres” … Dn 1:3

A base dos requisitos exigidos pelo rei era a origem familiar. Procurava-se jovens que tivessem uma orientação familiar. É evidente que nenhum rei, ou nobre (seja por nascimento ou por sua virtude),

descuidasse da educação de seus filhos. Ainda que não fosse o instrutor direto, reis e nobres sempre contrataram tutores e curadores para cuidarem da educação de seus filhos (2 Re 10:1-5; Gl 4:1-2). E era essa garantia que o rei Nabucodonossor queria tirar partido. Outro aspecto era que ele queria jovens para assessorá-lo no governo e nada melhor do que poder contar com jovens que assistiam seus pais em tarefas governamentais. O melhor dos treinamentos eles já tinham: feitos em casa.

Como cristãos, todos nós somos colocados em posição de sacerdócio real (I Pe 2:9), somos descendentes do Rei dos reis. Ainda que não façamos esta aplicação, podemos considerar que fazia parte da cultura judaica a responsabilidade dos pais educarem seus filhos. Antes mesmo da Lei, Deus tinha escolhido Abraão porque Ele sabia que ele iria ordenar a seus filhos e a sua casa a guardarem o caminho do Senhor, a praticarem a justiça e o juízo Gn 18:19). Ao receberem a Lei todo o povo de Israel foi exortado a guardá-la em seus corações e também a inculcá-la a seus filhos (Dt 6:7). No Novo Testamento, Paulo deixa bem claro que a responsabilidade de educar os filhos pertence aos pais (Ef 6:4).

Não temos informações precisas da origem familiar de Daniel, provavelmente foi descendente da linhagem real ou de nobres, creio o que importa aqui é deduzir que ele recebeu de sua família firmes fundamentos para sua vida, tanto espiritual como acadêmica e profissional.

A situação atual é decadente. Pais abandonam a responsabilidade de educar os filhos e passam este privilégio para o Estado, para a Igreja ou para instituições educacionais. Crianças são entregues para serem educadas numa filosofia humanista de vida que mantêm cativas suas mentes de entenderem o propósito de Deus para suas vidas. Gerações e gerações têm dormido enquanto o inimigo “tem feito a cabeça” deste mundo.

A Igreja de Jesus tem sido chamada a restaurar a responsabilidade dos pais para educar seus filhos no caminho do Senhor. Deus tem instruções claras para seus filhos no que diz respeito à educação de crianças. Ele mesmo se fez de Pai para demonstrar o tipo de relacionamento que é apropriado numa convivência familiar; que tipo de disciplina as crianças devem ter, ou seja, como, onde, porque e para que disciplinar um filho, etc.

Famílias precisam entender que a base de toda boa educação começa no lar e que Deus escolherá aqueles que tem sido dedicados desde a mais tenra infância a compreenderem a realidade numa perspectiva bíblica.

O máximo que uma escola pode fazer é estender o trabalho educacional iniciado e mantido no lar. Famílias cristãs precisam de escolas cristãs que possam estender o trabalho educacional iniciado no lar cristão. Precisam de tutores e curadores cristãos (profissionais da educação que vêem seu trabalho como um ministério) que trabalhem em aliança com a família, administrando uma educação formal cristã de qualidade.

  1. Saudáveis: …“jovens sem nenhum defeito”…

“Defeito é a carência ou falta de alguma coisa que é necessária ou útil para a perfeição”.

A lei é repleta de exigências de sacrifícios de animais sem nenhum defeito e também de exigências de sacerdotes sem defeitos físicos. O que isto significa? Que Deus não quer deficientes físicos servindo-O? Será que Ele faz acepção de deficientes físicos? Definitivamente não. Isto tem uma simbologia muito profunda:

Os defeitos físicos simbolizam defeitos de formação do caráter, imperfeição na conduta moral ou de julgamento. Alguns dos defeitos físicos que impediam os sacerdotes de se chegarem para oferecerem o pão a Deus eram os seguintes (Lv 21:17-21):

–  cego: falta de visão

–  coxo: vida dúbia, andar em dois mundos

–  rosto mutilado ou desproporcionado:

–  pé quebrado: não anda, não prospera

–  mão quebrada: nada faz

–  corcovado: carrega peso

–  anão: não cresceu, não se desenvolve

–  belida no olho: não sabe discernir as coisas

–  sarna ou impigens:

–  testículo quebrado: não se reproduz

A formação da integridade do caráter é construída pela interação do lar e da escola.  Para que não haja defeito na formação desse caráter o melhor é que os exemplos sejam consistentes, ou seja, pais e educadores devem se esforçar para manter a mesma visão educacional e proporcionarem os mesmos valores cristãos. Num mundo conturbado por troca de valores os jovens só se sentirão seguros se o referencial do lar for confirmado por uma segunda testemunha: a escola cristã.

Por outra perspectiva podemos ver também o empenho de Daniel e seus companheiros em manter uma dieta alimentar saudável demonstrando o cuidado que eles destinavam para com suas vidas. Quão difícil em nossos tempos contemplarmos jovens que valorizam hábitos alimentares naturais. O que mais se vê é uma geração se entupindo de fast-food!

Por quê? A família não tem mais tempo de preparar uma alimentação balanceada e o ensino de Ciências Físicas e Biológicas juntamente com Programa de Saúde nas escolas não conseguem convencer nossos jovens da importância de tomarem cuidado para viver uma vida saudável. Precisamos reverter esta situação rapidamente antes que uma geração inteira seja formada com defeitos. Pais e mestres precisam ser exemplos de vidas sadias.

  1. Apresentáveis: “jovens de boa aparência”

Novamente questionamos: Será que Deus só escolhe gente bonita para servi-LO? Será que Ele faz acepção de gente feia? Claro que não. Deus não faz acepção de pessoas.

Entendemos que a boa aparência (beleza moderada, bem formada, agradável, doce e graciosa) é reflexo exterior do que se passa no mundo interior. O equilíbrio emocional é manifestado através de uma boa aparência. Os pais e professores são responsáveis por contribuir para que indivíduos sejam formados de maneira que saibam conhecer-se a si mesmos, interiormente.

Jesus mencionou o que há no interior do homem e também como podemos ver o nosso corpo, nossa aparência. Os padrões do mundo com relação à aparência física são relativos, mas para o cristão a diferenciação entre a aparência  masculina e feminina deve ser clara. A regra é uma aparência modesta e decente.  A aparência também diz respeito a maneiras e hábitos de relacionamentos.

  1. Estudados: “instruídos em toda a sabedoria”

“O temor do Senhor é a instrução da Sabedoria”, “O temor do Senhor é o princípio da sabedoria”.

A verdadeira sabedoria é aquela que começa com o temor do Senhor e que ao processo de aquisição de instrução consegue entender e utilizar toda a instrução recebida com sabedoria, isto é trazer solução no tempo certo com a instrução certa da forma certa.

Estes jovens mostravam aptidões para todo tipo de aprendizagem. Já tinham sido discipulados em várias áreas do saber. A começar pelo temor do Senhor, que é o princípio da sabedoria. A atualidade exige aprendizado contínuo. Somente aqueles que foram disciplinados em assumir responsabilidades no seu aprendizado se sairão bem em suas ocupações. E assumir hábitos independentes de estudo começa em casa e deve ser reforçado pela metodologia da escola.

  1. Bem informados: “doutos em ciência”

Jovens bem informados, mestres em ciência com facilidade de entender. Pais e escola devem preparar seus jovens para a aquisição do conhecimento seja através da teoria como da prática.  O valor das teorias em equilíbrio com o conhecimento adquirido com a experiência é indispensável

Os dados são alarmantes. Estudantes brasileiros saem das universidades sem domínio da língua portuguesa.  As deficiências vão desde erros ortográficos até incapacidade de interpretação de texto. “Pelo menos 40% dos estudantes não conseguem organizar idéias, apresentam erros de concordância e pontuação. Em 60% dos casos observa-se a falta de domínio da linguagem. É muito freqüente a dificuldade para identificar idéias básicas de um texto. Pior do que não saber escrever é não compreender o que se está lendo”. Falta a capacidade de raciocínio, de expressão e correlação. Para continuar na Pós-Graduação quem não tiver instrumental de linguagem fica de fora, pois nessa fase, não é mais possível recuperar a capacidade de exposição. Especialistas avaliam que, a questão está ligada prioritariamente à baixa qualidade do Ensino Fundamental e Médio.

A metodologia aplicada pela Educação por Princípios garante a reversão desse quadro já que trabalha com um padrão clássico do ensino da língua, o desenvolvimento da pesquisa, do raciocínio, da relação, aplicação e do registro do conhecimento de forma individualizada.

O jovem cristão deve entender que toda sua bagagem intelectual só será útil se for disponibilizada para o serviço ao próximo.

  1. Entendidos: “e versados no conhecimento”

Jovens com facilidade de entender todas as áreas do conhecimento.

  1. Qualificados: “competentes para assistirem no palácio do rei”

Do palácio do rei é que sai o governo de uma nação, é onde estão ou deveria estar os mais competentes cidadãos daquela nação. As competências exigidas pelo mercado de trabalho são dinâmicas. Na era da globalização é necessário que pais e educadores preparem seus jovens para se adaptarem em novos ambientes culturais, assim com aconteceu com Daniel e seus amigos. Necessita-se de jovens competentes para comunicarem por escrito ou oralmente com eficácia, que sejam capazes de trabalhar em equipe, de tomar decisões e de assumirem liderança.

Todo este preparo só é possível se família e escola andarem juntas para edificar uma geração de líderes que farão diferença em nossa sociedade.

O movimento de escolas cristãs que começa a surgir no país só poderá contribuir para a edificação dessa geração de líderes que transformarão a nossa nação se família, igreja, escola e comunidade mantiverem uma aliança para estabelecerem o verdadeiro padrão cristão de cidadania.

Daniel, além de todas as qualificações acima tinha ainda a inteligência de todas as visões e sonhos.

II – INGERÊNCIA DE BABILÔNIA

Veremos agora o que aquela terra, ou a Universidade Real da Babilônia (ou o mundo) tentou fazer com aqueles jovens, afim de que de alguma forma eles fossem moldados, aculturados para viverem em Babilônia: no período de três anos eles foram submetidos a uma imersão cultural que compreendia:

 Cultura dos Caldeus

Foram obrigados a lerem todas as obras literárias dos caldeus. Os caldeus eram conhecidos como magos, encantadores e feiticeiros, experts no conhecimento de magias.

Suas obras literárias discorriam sobre agoros, encantamentos mágicos, orações e hinos, mitos e lendas, fórmulas científicas de práticas tais como a fabricação de vidros, matemática e astrologia.

  1. Língua dos Caldeus

 Foram obrigados a falarem outra linguagem

  1. Alimentação

 Foi imposto um cardápio, contendo as finas iguarias do rei, o que significava ter um pacto com o Rei, usufruir das dádivas honoríficas provindas da mesa real.

  1. Mudança de nomes

 Seus nomes foram trocados, isto é, sua identidade pessoal foi anulada para que outra identidade fosse criada.

Daniel: Beltessazar: “que (um deus) proteja a sua vida” “senhora” (esposa de Marduque)           proteja o rei.

Hananias: Sadraque: “tenho muito temor (de Deus)

Misael: Mesaque: “tenho pouca importância”

Azarias: Abede-Nego: “servo daquele que brilha”

III – CONFRONTANDO BABILÔNIA

  1. Resolveu Daniel firmemente não contaminar-se com as finas iguarias do rei: Não aderiu aos privilégios do estado.
  2. Sabedoria e inteligência sobrepunham a de todos daquele reino.
  3. Passaram a assistir diante do Rei.
  4. Diante de uma revelação maravilhosa ele reconheceu que a Deus pertence a sabedoria e o poder (humildade). Trouxe revelação de Deus.
  5. Subiu de cargo: governador. Os amigos gerenciavam os negócios das províncias.
  6. Não se dobraram a idolatria. Confiaram em Deus. Trouxe mais revelação de Deus. Prosperaram ainda mais nas províncias.
  7. Depoimento do Rei:
  8. Escreveu para fazer conhecidos os sinais e maravilhas que Deus, o Altíssimo, tinha feito com ele.“Loucura sobreveio param que ele aprendesse que o Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens, e dá a quem quer”.
  9. Daniel aconselhou -o:- põe termo em teus pecados pela justiça; e às tuas iniquidades usando de misericórdia para com os pobres.
  10. Belsazar: Leu uma escritura e deu a interpretação: Belsazar não humilhou o seu coração; levantou-se contra o Senhor e não glorificou-O.
  11. Dario: Daniel foi um dos três presidentes do reino

Este relato bíblico dá um embasamento consistente do caráter de jovens que são usados por Deus para liderar com uma postura servidora.

Interessante repararmos que as mesmas competências e habilidades, guardadas as devidas proporções do contexto social e histórico, são semelhantes às requeridas hoje.

(Texto retirado de Apostila de Formação em Educação por Princípios da AECEP – Associação de Escolas Cristãs de Educação por Princípios).

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