Israel, nação sacerdotal – Conclusão

ROMPENDO A BARREIRA DE SEPARAÇÃO

GENTIOS E JUDEUSIsrael

Gentios – do grego ethnê – é equivalente ao hebraico goyim.

É chamado judeu o descendente da tribo de Judá e de outras tribos. Ou seja, o judeu é judeu por consanguinidade.

E aquele que não é judeu, é gentio. E continua gentio depois que abraça a fé no Senhor Jesus.

“ Portanto, lembrai-vos de que, outrora, vós, gentios na carne, chamados incircuncisão por aqueles que se intitulam circuncisos, na carne, por mãos humanas, naquele tempo, estáveis sem Cristo, separados da comunidade de Israel e estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança e sem Deus no mundo”  Efésios 2:11 e 12

 Paulo estava falando para os gentios;

“gentios na carne” – se é gentio por nascimento, portanto isso não muda quando o gentio passa a crer no evangelho.

“chamados incircuncisão por aqueles que se intitulam circuncisos, na carne” – a distinção feita popularmente como uma justificativa para continuar menosprezando os gentios incircuncisos, apesar de que um crente piedoso deva se abster de qualquer vanglória.

“outrora”, “naquele tempo” – mostra que os gentios eram deficientes em alguns sentidos.

“estáveis sem Cristo” – Não tinham o Messias. Lembrando que o conceito de Cristo é judaico (Ungido) e que Cristo não é nome, é título.

“separados da comunidade de Israel” – Eram estrangeiros, excluídos, alienados, da vida nacional de Israel. A palavra grega traduzida por “vida nacional” “comunidade” é “politeia” que nos dá palavras em português como “política” e “político”.

“estranhos às alianças da promessa” – Eram estrangeiros às alianças que incorporavam a promessa. Isto inclui a aliança com Abraão, Moisés e a Nova Aliança. A Nova Aliança foi dada a Israel em Jesus. Os gentios eram estranhos a ela a não ser pela fé, o que os tornou participantes por completo.

“não tendo esperança e sem Deus no mundo” – a diferença entre judeus e gentios antes da vinda de Jesus não era apenas devido ao fato de um ser circuncidado e o outro não e sim que Deus lidava com eles de forma diferente.

 “Mas agora em Cristo Jesus, vós que antes estáveis longe, fostes aproximados pelo sangue de Cristo. Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos fez um; e, tendo derribado a parede de separação que estava no meio, a inimizade, aboliu na sua carne, a lei dos mandamentos na forma de ordenanças, para que dos dois criasse, em si mesmo, um novo homem, fazendo a paz” Efésios 2:13 a 15

 “vós que antes estáveis longe, fostes aproximados pelo sangue de Cristo” – Paulo afirma novamente a condição anterior dos gentios. A aproximação aconteceu por meio da morte sacrificial e sangrenta de Jesus, expiatória para todos, tanto gentios quanto judeus.

“ele é a nossa paz” – Jesus não somente faz a paz entre judeus e gentios como ele próprio é esta paz. “o qual de ambos fez um” – Ele habitando nos judeus e gentios que creem é o que de nós fez um só, pois a nossa unidade é o único Messias habitando em ambos.

“e, tendo derribado a parede de separação que estava no meio” – m’chitzah – hebraico – significa literalmente “o que divide algo no meio”. A figura utilizada por Paulo é do Templo. Em volta do Templo havia uma inscrição que proibia qualquer estrangeiro de entrar. Esta era a “parede de separação” entre judeus e gentios (também havia um pátio só para mulheres).

Assim, o Messias removeu a barreira que impedia os gentios de se misturarem com o Povo de Deus e serem contados como parte dele. Esse é o ponto levantado por Paulo.

Os gentios podem se unir ao povo judeu e serem um com eles enquanto povo de Deus, mediante a fé no Messias judaico, Yeshua.

Mas acontece o contrário: quando os judeus creem em seu próprio Messias, eles não tem mais o direito de manter sua identidade judaica mas precisam se amoldar aos padrões gentílicos.

Jesus é JUDEU, não gentio.

“tendo derribado a parede de separação que estava no meio, a inimizade, aboliu na sua carne, a lei dos mandamentos na forma de ordenanças”

Quatro componentes da inimizade entre judeus e gentios:

1 – A inveja dos gentios do status de Israel;

2 – O orgulho dos judeus por serem escolhidos;

3 – O ressentimento dos gentios por causa deste orgulho;

4 – A aversão mútua quanto aos costumes dos dois grupos.

Não vim para revogar, vim para completar –   Jesus disse:

 “Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim para revogar, vim para cumprir”

(Mt 5.17 – ARA).

Palavras chaves – “revogar” e “cumprir“

“Revogar“ – grego – verbo grego katalisai [katalusai] = anular, abolir, destruir, desfazer, revogar, etc.

A edição bíblica de Almeida Revista e Corrigida traduz primeiramente a palavra como “destruir” que é mais clara.

JESUS DISSE CLARAMENTE, QUE ELE NÃO VEIO PARA DESTRUIR, ABOLIR, ANULAR OU DERRUBAR A TORÁ (LEI).

Mas Jesus veio fazer mais, ele veio também para “cumprir”.

Este verbo grego que no original é plerosai = completar, acrescentar, aperfeiçoar, “plenificar”, etc.

Jesus em nenhum momento foi contra a Torá, muito pelo contrário ele veio apresentar o sentido pleno da Torá, veio completar seu significado, ele veio “plenificar” seu objetivo.

Como diz o Talmud (a tradição oral dos judeus): “Não vim para tirar a Toráh de Moisés, mas pelo contrário, vim para acrescentar” (Tratado Shabat 116b).

“Ordenanças” – grego = “dogmas” [dogmaV] = interpretação, dogma, doutrina de homens, etc.

Esta expressão grega aparece no Novo Testamento sempre associado com “ordenanças de homens” nunca com ordenanças dadas por Deus.

A palavra grega para ordenanças de Deus no Novo Testamento é dikaioma [dikaiwma] e não dogma.

Esta é a diferença básica.

Concluímos com isto que, o que Jesus aboliu foram:

“AS ORDENANÇAS DO HOMEM, OU AS INTERPRETAÇÕES DOS HOMENS SOBRE A TORÁ QUE É FORMADA POR MANDAMENTOS”.

“para que dos dois criasse, em si mesmo, um novo homem, fazendo a paz,”

A destruição da parede de separação fez de nós um, mas também nos deu a responsabilidade de um estilo de vida compatível ao requerido por Deus de todo o seu povo. Desta forma, podemos agir em obediência da forma que o Senhor nos ensinou procurando viver o estilo de vida na Igreja (Judeus e gentios crentes em Jesus) que espera a volta Dele.

Shalom!

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Israel, Nação Sacerdotal – Parte III

Antes de iniciar a leitura deste post, leia Parte I e Parte II.

Israel Salmo 139.13-14, o rei Davi expressa as seguintes palavras para o Senhor: “Pois possuíste os meus rins; cobriste-me no ventre de minha mãe. Eu te louvarei, porque de um modo assombroso, e tão maravilhoso fui feito; maravilhosas são as Tuas obras, e a minha alma o sabe muito bem”.

Davi reconhece que Deus nos criou de forma esplendorosa, uma grande obra, uma criação competente. Por isso há um propósito e um destino para cada um de nós. Mas o Senhor ainda nos capacita com todos os dons para cumprir esse propósito. Ninguém pode nos tirar os dons dados por Deus.

No verso 16 Davi diz que “no Teu livro foram escritos todos os meus dias, quando nem um deles havia ainda”. Deus nos lembra que Ele já nos deu os primeiros frutos, a salvação na Páscoa.

A seguir vem a ordem de contar o ômer, marcar cada broto.

O broto a nível pessoal representa o dom que Deus lhe deu e ainda não se desenvolveu. Todos os dons que recebemos de Deus são como pequenos brotos; precisamos cuidar de cada um deles até alcançarem a maturidade.

Precisamos remover o mato que cresce em volta, e nada atrapalha mais o desenvolvimento dos dons que Deus nos deu do que um caráter mau ou uma atitude ruim.

O Senhor nos dá 50 dias a cada ano para reflexão e assim podemos arrancar o mato do nosso caráter, desenvolvendo a integridade nos mínimos detalhes.

Se fizermos isso todo ano, passaremos bem o resto do ano e faremos uma grande colheita.

 Cuidar dos brotos é apenas o primeiro passo, mas depois de 50 dias deve-se reunir os dons, juntamente com os esforços dispensados a eles, e dedicar ao Senhor.

Deus é Senhor das colheitas, você é o senhor das primícias dos primeiros frutos. O que você fizer com a primícia dos primeiros frutos determinará o que Deus fará com a colheita em sua vida.

Dt 16.16, “Três vezes ao ano todo homem entre ti aparecerá perante o Senhor teu Deus, no lugar que escolher, na festa dos pães ázimos, e na festa das semanas, e na festa dos tabernáculos; porém ninguém aparecerá vazio diante perante o Senhor”.

O que podemos dar a Deus que Ele queira?

 Gratidão

Gratidão pela salvação, coração grato e ações de graça são as primeiras ofertas de sacrifício.

Quando entregamos os primeiros frutos, dons e talentos tem início a colheita, Zc 4.6 “Não por força, nem por violência, mas sim pelo meu Espírito”.

Quando chega a festa de Tabernáculos, celebraremos a colheita.

Caminhe em salvação, gratidão e invista seus esforços nos primeiros frutos e os dedique ao Senhor, assim haverá grande colheita.

O Pai deseja as primícias dos primeiros frutos em sinal de obediência. Isto agrada o nosso Pai.

 A ideia do Senhor era entregar a Sua lei a cada israelita e que cada um deles se tornassem um sacerdote com o propósito de alcançar outros indivíduos de outras nações.

Essa proposta é comprovada em Dt 12.11-12.

Todo israelita deveria comparecer perante o Senhor no lugar que Ele escolhesse dentre todas as tribos, para ali levar os seus sacrifícios, dízimos, votos e ofertas. Os dízimos eram entregues aos sacerdotes e levitas.

Mas aqui o Senhor fala em levar os dízimos e degolar e comer diante d’Ele.

O fato aqui descrito mostrava a disposição de Deus em demonstrar a cada israelita, que se o mesmo tinha o direito de comer do dízimo, ou segundo dízimo, teria também os privilégios do sacerdote.

Todo privilégio ou direito pressupõe responsabilidades e deveres. Se todo israelita experimentava os privilégios e a sua posição de sacerdote, deveria cumprir também as suas responsabilidades, fazendo o seu papel de sacerdote para as outras nações.

Com esse sistema em que cada israelita deveria se alegrar perante o Senhor, comendo do fruto da terra, eles seriam vistos pelas outras nações como sacerdotes, cumprindo assim suas funções de instruí-los a buscar e servir ao Deus de Israel.

Existe nesse texto de Deuteronômio o relato das responsabilidades de cada israelita como sacerdote, e que são aplicáveis a nós como cristãos (IPe 2.9):

  1. Sempre separar no terceiro ano, o dízimo do pobre.
  2. Perdoar as dívidas no sétimo ano (ano sabático).
  3. Devolver terras no ano do Jubileu.
  4. Práticas de justiça (Tsadaqa).

A igreja entendida como cada cristão individualmente deve agir como nação sacerdotal do Reino de Deus, manifestando através de atitudes compatíveis com a Palavra de Deus os valores eternos do Reino, com a prática da justiça.

Continua…