A queda do homem*

PecadoA criação teve um começo glorioso porque a terra estava cheia da glória de Deus. Tudo refletia o Criador. 

Então, de repente, o homem deixou de ser santo e o jardim foi perdido para ele.

Por razões que Deus não explica, depois de determinado tempo, Ele deixou o tentador entrar no jardim para tentar o homem.

A árvore do conhecimento do bem e do mal significava o elemento físico posto ali para provar a fidelidade de Adão e Eva. Satanás sugeriu a Eva que Deus não queria que suas criaturas fossem iguais a Ele: conhecedores do bem e do mal.

Deus não precisa experimentar o mal para conhecê-lo. O homem não precisava experimentar para saber o que é o mal. Ele precisava apenas confiar nas palavras de Deus.

Stedman (Entendendo o homem) diz:

“As criaturas do universo são feitas para descobrir a diferença entre bem e mal porque relacionam tudo ao ser de Deus, não a si mesmas.

Quando o homem comeu do fruto, ele passou a fazer tudo o que Deus faz: a relacionar tudo a si mesmo…

Quando o homem começou a pensar de si mesmo como centro do universo, ele se tornou igual a Deus. Mas tudo isso era uma mentira. O homem não é o centro do universo e não pode ser”.

Qual é o pecado de Adão?

Conhecer o bem e o mal?

Não.

O pecado de Adão foi a desobediência.

Adão comeu do fruto proibido, desobedientemente, porque não creu nas palavras de Deus.

E a maldição veio sobre toda a criação!

 *Texto adaptado do livro “O habitat humano – o paraíso perdido” de Heber Carlos Campos. Editora Hagnos.

Beth Alves.

ARTIGO: O DEUS QUE SE REVELA – A MAJESTADE DE DEUS NA CRIAÇÃO COMO ARTIGO – PREMISSA TEOLÓGICA, ANTROPOLÓGICA E ECOLÓGICA (SL 8.1-9) (VOLUME XVIII)

Revelação de DeusPOR HERMISTEN MAIA PEREIRA DA COSTA

(Mestre e Doutor em Ciências da Religião, pastor da Igreja Presbiteriana Ebenézer, em Osasco (SP), e professor de Teologia Sistemática do Seminário Presbiteriano Rev. José Manoel da Conceição, em São Paulo)

Neste artigo o autor, partindo do Salmo 8, analisa aspectos da majestade de Deus revelados na criação e, especialmente, no homem, criado à sua imagem e semelhança. Sustenta que, para que o homem possa ter uma visão correta de Deus, de si mesmo e da criação em geral, faz-se necessário começar por uma compreensão correta de Deus conforme ele mesmo se dá a conhecer a fim de que possamos responder-lhe em adoração e obediência.

Demonstra que somente partindo de Deus podemos perceber a beleza da Criação, ainda que esta aguarde a sua restauração, que manifesta de forma majestosa a bondade, sabedoria e poder de Deus. Apenas assim poderemos adquirir uma ótica correta para enxergar a vida e o dinamismo necessário para agir de modo coerente com a nossa fé.

O genuíno conhecimento de Deus deve guiar a nossa teologia, antropologia, ecologia e, consequentemente, a nossa práxis.

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O Lugar que devemos estar…

Moriah : מריה

  • Lugar que Deus vê

Passado algum tempo, Deus pôs Abraão à prova, dizendo-lhe: “Abraão! ” Ele respondeu: “Eis-me aqui”. Então disse Deus: “Tome seu filho, seu único filho, Isaque, a quem você ama, e vá para a região de Moriá. Sacrifique-o ali como holocausto num dos montes que lhe indicarei”. Gênesis 22:1-2

Moriá, o lugar que Deus vê.Monte Moriá

Sabemos que Deus é soberano e não precisa de ninguém para se mover, mas Ele escolheu contar com o homem para realizar o seu plano. E foi em Abraão que ele encontrou um coração disponível. Vemos neste homem um exemplo de disponibilidade e renuncia a fim de realizar os planos de Deus.

Abraão ouviu o chamado de Deus e ele prontamente disse: Eis-me aqui! E ao receber a ordem, ele não poupou o seu único filho.

Na manhã seguinte, Abraão levantou-se e preparou o seu jumento. Levou consigo dois de seus servos e Isaque seu filho. Depois de cortar lenha para o holocausto, partiu em direção ao lugar que Deus lhe havia indicado. No terceiro dia de viagem, Abraão olhou e viu o lugar ao longe. Gênesis 22:3-4

Quando estamos caminhando em obediência a Deus, não nos encontramos perdidos ou atordoados, pois somos direcionados ao lugar  que devemos estar.

Disse ele a seus servos: “Fiquem aqui com o jumento enquanto eu e o rapaz vamos até lá. Depois de adorarmos, voltaremos“.  Abraão pegou a lenha para o holocausto e a colocou nos ombros de seu filho Isaque, e ele mesmo levou as brasas para o fogo, e a faca. E caminhando os dois juntos, Isaque disse a seu pai Abraão: “Meu pai! ” “Sim, meu filho”, respondeu Abraão. Isaque perguntou: “As brasas e a lenha estão aqui, mas onde está o cordeiro para o holocausto?  “Respondeu Abraão: “Deus mesmo há de prover o cordeiro para o holocausto, meu filho”. E os dois continuaram a caminhar juntos. Gênesis 22:5-8

Abraão em todo tempo cria que se sacrificasse Isaque, Deus o ressuscitaria.

[Pela fé ofereceu Abraão a Isaque, quando foi provado; sim, aquele que recebera as promessas ofereceu o seu unigênito. Sendo-lhe dito: Em Isaque será chamada a tua descendência, considerou que Deus era poderoso para até dentre os mortos o ressuscitar. Hebreus 11:18]

Quando estamos no “lugar” onde Deus nos designou, a nossa fé não vacila. Mas ela nos leva a ver além das circunstâncias, além dos que os olhos podem ver. Abraão, mesmo estando no “lugar do sacrifício”, ele creu. Ele sabia que Deus proveria para si o cordeiro, e que as promessas do Senhor não seriam abaladas por circunstância alguma.

Quando chegaram ao lugar que Deus lhe havia indicado, Abraão construiu um altar e sobre ele arrumou a lenha. Amarrou seu filho Isaque e o colocou sobre o altar, em cima da lenha. Então estendeu a mão e pegou a faca para sacrificar seu filho. Mas o Anjo do Senhor o chamou do céu: “Abraão! Abraão! ” “Eis-me aqui”, respondeu ele. “Não toque no rapaz”, disse o Anjo. “Não lhe faça nada. Agora sei que você teme a Deus, porque não me negou seu filho, o seu único filho. ” Abraão ergueu os olhos e viu um carneiro preso pelos chifres num arbusto. Foi lá, pegou-o e sacrificou-o como holocausto em lugar de seu filho. Abraão deu àquele lugar o nome de “O Senhor proverá”. Por isso até hoje se diz: “No monte do Senhor se proverá”. Gênesis 22:9-14

Abraão estava no “lugar”, e foi no “lugar” que ele recebeu a aprovação do Deus Altíssimo e experimentou da fidelidade de Deus. Ele não precisou sacrificar o seu único filho. Nós sabemos que este papel quem cumpriu foi o próprio Deus!

[Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. João 3:16]

Pela segunda vez o Anjo do Senhor chamou do céu a Abraão e disse: “Juro por mim mesmo”, declara o Senhor, “que por ter feito o que fez, não me negando seu filho, o seu único filho, esteja certo de que o abençoarei e farei seus descendentes tão numerosos como as estrelas do céu e como a areia das praias do mar. Sua descendência conquistará as cidades dos que lhe forem inimigos e, por meio dela, todos povos da terra serão abençoados, porque você me obedeceu“. Gênesis 22:15-18

Moriá, lugar de sacrifício, renúncia e obediência. Este é o lugar em que Deus quer que eu e você estejamos.

 Cíntia Silveira.

Teologia Bíblica e Identidade: Filhos de Deus

Tal Pai, tal filho.Michael Lawrence

Identidade é importante. É importante para a nossa cultura, inundada por políticas identitárias e pelos apelos inatacáveis que o conceito de identidade proporciona. E é importante entre os cristãos. Nós chamamos as pessoas a viver de acordo com e à altura de quem elas são em Cristo: peregrinos e forasteiros, sal e luz, membros do corpo de Cristo ou da noiva de Cristo, templo do Espírito, nova criação e assim por diante. Nós encorajamos uns aos outros a nos revestirmos do novo homem.

Contudo, com freqüência, os marcadores identitários do Novo Testamento são mais informados por nosso próprio contexto e nossas pressuposições culturais do que pelo enredo bíblico. O enredo do peregrino e forasteiro pode se tornar o enredo do fundamentalista cultural justificando seu desengajamento. O enredo da noiva pode facilmente se tornar o enredo de um sentimentalismo egocêntrico no qual, como acontece com as noivas americanas todos os sábados, nós somos o foco e o centro de tudo.

A história da filiação

Todavia, se havemos de aprender a usar os marcadores identitários da Bíblia em nosso aconselhamento e discipulado, então precisamos compreender o enredo bíblico mais amplo de nossa identidade como filhos e filhas de Deus. Esse enredo é uma ferramenta poderosa para combater o discipulado narcisista que permeia grande parte do cristianismo.

Princípios

Da criação de Adão e Eva conforme a semelhança de Deus à sua responsabilidade de representar Deus como vice-regentes sobre a criação (Gênesis 1.26-28), ao seu privilégio de intimidade com Deus (Gênesis 3.8) e sua habilidade singular de refletir de volta para Deus a sua glória, à sua obrigação de obedecer (Gênesis 2.15), a imago Deise projeta na forma de filiação. Desde o princípio, o padrão se estabelece: tal pai, tal filho. Assim como Deus governa a criação, também o filho deveria representar aquele governo.

Como é óbvio, o primeiro filho, Adão, foi desobediente ao seu Pai. A imagem de Deus não foi perdida, mas ela agora vem com a herança maldita do nosso pai terreno, uma natureza corrompida e arruinada pelo pecado. Desse ponto em diante, a inclusão na família de Deus não é mais por nascimento, mas por adoção.

Um novo começo?

Em Gênesis 12, Abrão, o filho de um idólatra, é adotado por Deus a fim de tornar-se o pai de uma nova nação. Ele recebe um novo nome: Abraão. Ele recebe a promessa de um filho e, mais do que isso, de uma herança para aquele filho.

De novo e de novo, essa promessa é posta em xeque: pela esterilidade, pela traição, pela fome, pela própria morte. Quando Deus chama Abraão a sacrificar o seu filho como oferta queimada (Gênesis 22.2), parece que a promessa e a história do filho estão acabadas, porque o filho ainda é o filho de Adão que merece morrer.

Mas Deus não acabou. Ele resgata o filho de Abraão, o filho de Isaque e os filhos de Jacó, até que o filho se torna a nação de Israel inteira.

Em Êxodo 4, Deus diz a Moisés que diga a Faraó: “Deixe o meu filho ir para prestar-me culto” (v. 23, NVI). Deus então resgata o seu filho corporativo, Israel, do rei-serpente e conduz o seu filho à sua herança, a terra prometida, um segundo Jardim do Éden.

Deus também suscita um rei, um homem segundo o seu coração, chamado Davi, e lhe promete que um filho dele governará sobre um reino que não terá fim. O filho de Davi será o filho de Deus, que representará tanto Deus como o seu povo. Ele reinará em justiça e fará a obra que o Pai lhe confiar, resgatando o seu povo das mãos de seus inimigos.

Mas nem o filho corporativo nem os filhos de Davi são fiéis. Eles continuam em sua rebelião. Ao final do Antigo Testamento, o trono de Davi está vazio.

O Filho vem e nos torna filhos

Então veio o verdadeiro Filho de Deus. Jesus é o Filho Divino encarnado, o verdadeiro Rei, o Messias que veio para fazer a obra que o Pai lhe confiara (João 4.34, 5.19, 6.38). Ele afirmou representar Deus: se você o visse, teria visto o Pai (João 1.49). Jesus é a verdadeira imago Dei, o segundo Adão, o verdadeiro Israel. Enfim, tal Pai, tal Filho.

Surpreendentemente, o filho corporativo o rejeitou. Contudo, Deus ressuscitou o Filho dentre os mortos e o fez assentar no próprio trono dos céus, de modo que todos os filhos da desobediência que se voltarem de seus pecados e forem unidos ao verdadeiro Filho pela fé receberão o poder de se tornarem filhos de Deus, adotados na família de Deus.

Uma vez adotados, eles são conformados à imagem do Filho a quem Deus ama. Esse processo não terminará até o dia em que o virmos, quando enfim seremos como ele é. “Vede que grande amor nos tem concedido o Pai, a ponto de sermos chamados filhos de Deus” (1 João 3.1). E, quando enfim formos como ele é, reinarmos com ele como filhos e filhas de Deus (2 Timóteo 2.2; Apocalipse 20.4, 6).

Discipulando e aconselhando a partir do enredo da filiação

Como esse enredo de filiação impacta o modo como nós usamos essa identidade bíblica em nosso discipulado e aconselhamento? Quero enfatizar quatro coisas.

1. O Pai ama os filhos porque o Pai ama o Filho

Primeiro, o Pai ama os filhos porque o Pai ama o Filho. O amor de Deus por nós como filhos não começa conosco. Começa com o seu amor pelo Filho Jesus Cristo. Por quê? Porque o Filho sempre foi e sempre será obediente ao Pai (João 10.17). E é esse amor que transborda em amor por nós, os filhos que estão unidos a Cristo pela fé.

Precisamos inculcar isso em nossas mentes enquanto discipuladores e conselheiros. Podemos dizer “Deus ama você” o dia inteiro, e isso de nada adiantar, porque as pessoas no fundo sabem que não merecem o amor de Deus. Mas, quando me é dito que Deus ama a Cristo e que eu fui adotado em Cristo pela fé, agora eu tenho algo em que pôr a minha confiança, algo que não contradiz o meu conhecimento de mim mesmo.

Cristão, você é amado, não porque você é amável ou obediente, mas porque Cristo é amável e obediente e você está em Cristo. Você foi adotado.

2. Um filho glorifica o seu Pai ao representá-lo perante o mundo

Segundo, o papel de um filho é dar glória ao seu Pai ao representá-lo perante o mundo. Jesus fez essa afirmação acerca de sua própria vida repetidamente. João 5.19: o Filho somente pode fazer “aquilo que vir fazer o Pai; porque tudo o que este fizer, o Filho também semelhantemente o faz”. E tudo isso é para trazer glória ao Pai. Como Jesus orou, “Eu te glorifiquei na terra, consumando a obra que me confiaste para fazer” (João 17.4).

Mas o que é verdade acerca de Cristo também é verdade acerca dos filhos que estão em Cristo. Mateus 5.9: “Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus”. Mateus 5.44-45: “Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem; para que vos torneis filhos do vosso Pai celeste”. Efésios 5.1: “Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados”. Herdeiros de Deus devem portar o nome do Pai e fazer avançar a reputação do Pai. Esse é um elevado chamado e privilégio.

3. O privilégio do Filho é uma herança segura

Terceiro, o privilégio do Filho é uma herança segura. Jesus afirma isto: “O escravo não fica sempre na casa; o filho, sim, para sempre” (João 8.35). Paulo assimila a mesma idéia: “E, porque vós sois filhos, enviou Deus ao nosso coração o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai! De sorte que já não és escravo, porém filho; e, sendo filho, também herdeiro por Deus” (Gálatas 4.6). Muito mais do que uma experiência emocional e psicológica de amor, este versículo nos promete uma herança e um lugar permanente na família. Essa herança é certa e segura.

Que é essa herança? A principal imagem no Antigo Testamento é de uma terra. Na era presente, nós não recebemos uma terra, mas o Espírito. E, incrivelmente, o Espírito é apenas um penhor. A nossa plena herança ainda nos aguarda, pois a nossa plena herança é o próprio Deus Trino em uma nova criação perfeitamente planejada para o nosso florescimento e a sua glória.

4. A meta do Filho é a obediência

Quarto, a meta do Filho é a obediência. Essa deveria ter sido a meta de Adão, de Israel e de Davi. Mas foi, sem dúvida, a meta de Jesus. Ele foi obediente ao Pai até o fim. Não foi uma obediência relutante, desejando que houvesse outro caminho. Não foi uma obediência mesquinha, na esperança de que talvez o Pai lhe amasse por obedecer. Não foi uma obediência orgulhosa, do tipo “Ei, olhe para mim!”. Foi uma obediência voluntária – “eu espontaneamente a dou” (João 10.18). Foi uma obediência confiante – “porque me amaste antes da fundação do mundo” (João 17.24). Foi uma obediência humilde – Jesus não se envergonha de nos chamar irmãos (Hebreus 2.11). E essa obediência foi a sua alegria.

Quando nós usamos a linguagem da filiação em nosso discipulado e aconselhamento, se nós apenas transmitimos a promessa da intimidade e do livre acesso, que Romanos 8 ensina, então estamos contando apenas parte da história. Filhos não são apenas os recipientes de amor, copos vazios de amor que precisam ser cheios. Eles também são aqueles que ativamente amam seu Pai. E João nos diz: “E o amor é este: que andemos segundo os seus mandamentos” (2 João 6).

Eu poderia chegar ao ponto de dizer que o tema dominante vinculado à filiação no Antigo Testamento e no Novo não é intimidade, acesso, afeição, nem mesmo segurança. É obediência.

Tudo se encaixa em Romanos 8. Deus nos predestinou para sermos conformes à semelhança, à imagem do seu Filho, a fim de que ele fosse o primogênito entre muitos irmãos (Romanos 8.29). E, portanto, Paulo diz, “Portanto, irmãos, estamos em dívida, não para com a carne, para vivermos sujeitos a ela. Pois se vocês viverem de acordo com a carne, morrerão; mas, se pelo Espírito fizerem morrer os atos do corpo, viverão, porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus” (Romanos 8.12-14, NVI). A meta dos filhos é a obediência.

A próxima coisa que Paulo diz é que pelo Espírito nós clamamos “Aba, Pai” (Romanos 8.15). E assim o círculo se fecha. Intimidade e obediência andam lado a lado na história do Filho.

Uma nova história

Nós vivemos numa era terapêutica, uma era de relacionamentos quebrados e famílias fraturadas, em que pais são tolos, bufões, capatazes, ou apenas completamente ausentes. Os filhos criam a si mesmos até a fase adulta por meio de imagens da internet e da TV. Francamente, com as filhas é ainda pior. Então, não deveria nos surpreender que, na linguagem bíblica de filhos e filhas, nós encontramos um poderoso antídoto para um veneno mortal.

Mas, de fato, em nossa identidade como filhos e filhas de Deus nós recebemos algo muito mais poderoso do que um antídoto para os fracassos de nosso tempo. Recebemos uma identidade que nos chama além de nós mesmos e de nossas necessidades emocionais para o enredo da glória de Deus.

Um dia, a nossa esperança será recompensada; a nossa obra terá um fim. “A ardente expectativa da criação aguarda a revelação dos filhos de Deus” (Romanos 8.19). E essa expectativa não será frustrada. Naquele dia, uma nova história começará: a história da gloriosa liberdade dos filhos e filhas de Deus.

Tradução: Vinícius Silva Pimentel
Revisão: Vinícius Musselman Pimentel

Fonte: Ministério Fiel

Israel, nação sacerdotal – Parte VI

A volta de Jesus e as bodas do Cordeiro

MATEUS 22.1-14

O rei que prepara o banquete, a grande festa com o objetivo principal de celebrar as bodas, ou o banquete nupcial para o seu filho. Tudo isso está diretamente relacionado aos preparativos para a volta de Cristo.

O Rei, o nosso Deus, envia Seus servos a conclamar e chamar os convidados para as bodas.

 ἀπέστειλεν τοὺς δούλους αὐτοῦ καλέσαι τοὺς κεκλημένους εἰς τοὺς γάμους

 No casamento judaico, no dia do casamento, a noiva fica aguardando o retorno do noivo. A noiva recebe os convidados. A igreja está hoje assentada nas regiões celestiais com Cristo Jesus como afirma o apóstolo Paulo na carta aos Efésios 2.6-7. Essa entronização nas regiões celestiais tem como objetivo fazer conhecida a suprema riqueza da sua graça, que nos foi dada por intermédio da sua bondade. A igreja tem a função e o objetivo principal de fazer com que o Nome do Senhor seja glorificado em todas as nações da terra, e isso é também alcançado através da proclamação do Evangelho: Cristo morreu pelos nossos pecados.

Ao utilizarmos o casamento judaico, como uma comparação com as bodas do Cordeiro, precisamos focar em alguns pontos importantes:

  1. A noiva é responsável por receber os convidados, igreja anunciando a boa nova.
  2. O compromisso de casamento, Is 54.5-7, mostra que a vergonha experimentada no passado será removida. כִּי־כְ‍אִשָּׁה עֲזוּבָה וַעֲצוּבַת
  3. O noivo usa uma vestimenta adequada para a sua cerimônia, o kittel, uma vestimenta simples por baixo de suas vestes nupciais. A humilhação diante de Deus e sua constante submissão a Ele é que manterão a união indissolúvel do casamento até que a morte os separe.
  4. O noivo e a noiva não se veêm durante o tempo de espera em que o noivo retorna para tomar a sua noiva. ICo 13.12, vemos como que por um espelho, mas então o veremos face a face.
  5. Sabemos que somos do Senhor, que lhe pertencemos, mas ainda não estamos fisicamente com Ele, mas isso se realizará no dia do casamento.
  6. No dia do casamento ocorre um ritual chamado bakeden, o noivo cobre o rosto da noiva com um véu. Gn 24.65

הַצָּעִיף  essa palavra trás um significado de cobrir completamente.

Isso transmite a idéia de que a atração física mesmo sendo importante, ainda mais importantes são a alma e o caráter. O colocar do véu sobre o rosto da noiva, simboliza o cuidado que será dispensado a futura esposa como o vestir e o proteger.

7. A nossa união com Cristo atrai a muitos e Jesus nos garantiu que na casa do Pai há muitas moradas e Ele prepararia lugar para cada um de nós.

8. O casamento  é chamado Kidushin, separação, consagração de um para o outro. A santificação da noiva para o Noivo. Vestes limpas e puras.

9. Ao final, ocorre a leitura da Ketubá, o contrato nupcial. Nele o noivo assume e aceita para si algumas responsabilidades matrimoniais que são detalhadas na Ketubá.

A sua obrigação principal é prover alimentos, abrigo e roupas para sua esposa, e ser atencioso com relação às suas necessidades emocionais. A proteção dos direitos de uma esposa judia é tão importante que o casamento só pode ser formalizada após a leitura completa do contrato.
1 2 3

Queremos nos encontrar com o Senhor, consumar o relacionamento eterno que teremos com o Messias Jesus. Relacionamento esse que foi detalhado por Paulo em Efésios 5, Cristo e Igreja,  é semelhante ao relacionamento de um esposo com sua esposa.

Quando Jesus voltar, Ele estará vindo para uma noiva- e intencionalmente ela terá se preparado para Ele.

Esse processo de preparação gira em torno de íntima devoção, reverente afeição e sincera rendição a Yeshua.

A prova da nossa fé será constante com o objetivo de nos purificar para o Seu retorno.

Ansiamos por isso, em chamas o nosso desejo por Cristo será mantido até o encontro naquele glorioso Dia do Senhor.

Contratando Israel para o casamento:

Os profetas bíblicos retratam vividamente Israel como noiva ou esposa de Deus. “Eu fui um marido para eles” (Jer 31.32, Ez 16.8); “como noiva você me amava” (Jer. 2.2); “você me chamará de meu marido” (Os 2.16); pois o Seu Criador é o seu marido” (Is 54.5); “assim como o noivo se regozija por sua noiva, assim o seu Deus se regozija por você.

As palavras dos profetas são mais que poesia. Elas refletem uma poderosa transação que aconteceu no Espírito com os filhos de Israel, resultando em um tipo de casamento legal.

Para melhor compreender essa verdade bíblica, precisamos um pouco mais de informação do hebraico e a cultura judaica.

Os mais antigos costumes de casamento na bíblia envolviam um homem simplesmente “tomar” uma mulher como sua. Primeiro ele obtinha a permissão do pai ou tutor da mulher, então o noivo levava a jovem para sua tenda e consumava a união, como fez Isaque com Rebeca Gn 24.67).

Deus usa esta mesma palavra -tomar- quando liberta seu povo do Egito. Pode-se presumir que os hebreus compreenderam que Deus estava falando de casamento, quando em Êxodo 6.7 há um relato do Senhor falando ao Seu povo Israel: “Eu vos tomarei por meu povo e serei vosso Deus.”

Eles compreenderam também que, para serem tomados por Deus, o Senhor precisava ter o consentimento deles. Ele não podia forçá-los a isso; queria um relacionamento voluntário.

Noivado, ou o que hoje poderia ser chamado de compromisso, tornou-se a primeira fase de um casamento judeu formalizado.

4

No noivado, o futuro marido apresenta uma proposta por escrito, que pode ser aceita ou rejeitada. Se fosse aceita, o preço da noiva seria pago nesse momento, e o casal estava legalmente ligado. De maneira semelhante o Senhor depois de haver falado em tomar Israel, ofereceu-lhe um tipo de contrato escrito de casamento por meio de Moisés no deserto do Sinai (Êx 19.5). Seus termos foram resumidos nos Dez Mandamentos e foi acentuado o caráter monogâmico no relacionamento (Êx 20.3).

Israel aceita a proposta: “Faremos tudo o que o Senhor ordenou”(Êx 19 7-8).

O preço final que Adonai pagou pela noiva foi incrível. Só a morte sacrificial e o sangue derramado por Seu Filho poderiam pagar por seu estimado noivado – de todas as nações (IPe 1, 17-19).

O Eterno Soberano teve um casamento arranjado com a humanidade no qual Ele previu sofrimentos e angústias que o Seu coração suportaria. Dt 31.16,21.

A aliança eterna de Deus prometida a Israel é a mais impressionante Nova Aliança que oferece salvação a todas as nações (Jr 31.31). Essa aliança pode ser descrita como uma aliança renovada, porque não abandona a essência da antiga.

O Novo Testamento confirma essa união, através da fala de João Batista: “Eu não sou o Cristo, mas sou aquele enviado adiante dele. A noiva pertence ao noivo”(Jo 3.28-29).

De acordo com o antigo costume hebraico, após um noivo deixar sua pretentida, ele começava zelosamente a preparar um lugar para ela (Jo 14.2-3).

A câmara nupcial era usualmente construída quase como uma extensão da casa de  seu pai. O jovem noivo não determinava o tempo de retornar  para a noiva que o aguardava; o pai dele é quem dava a aprovação final. Somente o pai sabia quando o filho viria para a sua noiva.

O noivo se apressava em preparar a nova casa, e quase sempre sem se anunciar voltava para reivindicar e levar a sua amada.

Enquanto aguardava o retorno do noivo, a noiva era chamada de Kiddushin, que literalmente significa santificada ou separada, se preparava para o dia do retorno do noivo. Como ela também não sabia o dia do retorno do noivo, vigiava diligentemente a sua chegada.

Ela passa o período de espera da separação dos dois preparando-se meticulosamente para o casamento. Em parte, o preço que havia sido pago, como dote pela noiva, incluía dinheiro e outros presentes,  e isso tudo era utilizado para esse propósito.

A kiddushin separada tinha apenas um objetivo: ficar pronta para o retorno do noivo.  Esse retorno poderia acontecer no meio da noite.

Por isso era um costume da noiva e suas damas terem próximo a suas camas lamparinas com azeite suficiente para a viagem.

Os casamentos eram eventos públicos alegres. Quando o noivo chegava, seus amigos íntimos que o acompanhavam, normalmente tocavam trombetas para anunciar a sua chegada. Os serventes da festa levantavam-se rapidamente, vestiam a kiddushin santificada e reuniam a família. Eles abriam passagem juntos na direção do grupo do noivo. Muitas vezes os dois grupos se encontravam antes que os homens chegassem à casa da moça.

A noiva e suas amigas partiam da sua casa em direção ao grupo do noivo e se uniam para formar um grande grupo que festivamente voltava a casa do pai e entravam na câmara nupcial. Ali era consumada a união eterna do casal. Havia uma festa que durava por sete dias sendo celebrada uma ceia matrimonial, as bodas do Cordeiro.

Os discípulos de Yeshua tinham conhecimento desses costumes. As palavras de despedida do Mestre foram carregadas de significado e conteúdo profético. Jesus pagaria o preço total por Sua noiva ao ser pendurado no madeiro. Então Ele partiria para preparar um lugar para ela.

Sem dúvida Ele voltaria, mas somente o Pai sabia quando. Enquanto isso, a noiva, Sua kiddushin separada, deveria se preparar e se manter vigilante. Para esse propósito, ela teria de usar os presentes que ele lhe deu. Na hora determinada, a união deles seria arrebatadora e irresistivelmente digna de espera.

Para melhor ilustrar o princípio nupcial, Jesus conta uma parábola das dez virgens; metade delas são sensatas ou prudentes e metade delas são insensatas ou tolas (Mt 25.1-13). As virgens são participantes das núpcias do Senhor.

O fato de cada uma possuir lâmpadas e alguma medida de azeite indica que todas elas portavam uma luz, pela qual servem ou ministram a outras pessoas.

Enquanto as virgens estavam dormindo,  um grito as desperta: “O noivo está chegando”.  Entretanto, somente metade delas tem azeite suficiente para o percurso até encontrá-lo.

Somente metade das virgens ou dos cristãos, tem o suficiente do Espírito de Deus para permanecer alerta até o fim. Quando se inicia a festa do casamento, só as virgens prudentes conseguem participar dela.

As outras virgens insensatas, precisam sair para conseguir mais azeite. Enquanto buscam com as outras virgens o suprimento para suas lâmpadas, é tarde demais. A porta da câmara nupcial foi fechada.

“Portanto vigiem”, insiste o Senhor Jesus, “porque vocês não sabem o dia nem a hora”. Mt 25.13.

Israel, nação sacerdotal – Parte V

Entendendo o Conflito em Gaza

Inimigos naturais de Israel :

1) Ismael: Gn. 16:11-12 : “Disse-lhe também o anjo do SENHOR: Eis que concebeste, e darás à luz um filho, e chamarás o seu nome Ismael; porquanto o SENHOR ouviu a tua aflição. E ele será homem feroz, e a sua mão será contra todos, e a mão de todos contra ele; e habitará diante da face de todos os seus irmãos.”

De Ismael foram formadas as nações árabes .

2) Os Filisteus .

Povo numeroso que dominava sobre Israel no tempo dos Juízes ( Jz.14:4 )

Tinham por costume torturar terrivelmente os povos dominados . Ex: arrancaram os olhos de Sansão .

Tomaram de Israel 5 cidades : Gaza, Ashkelon, Ashdod , Ekron , Gate.

Tomaram a Arca de Deus . I Samuel 5

Não era um povo natural de Canaã, porém advindo do Egito . Gn. 10: 13-14

Eram notavelmente hábeis e conhecidos  nas artes Navais .

Região onde habitavam os Filisteus: Gaza

A região onde habitavam os filisteus: (Filistia)

1

Julgamento de Deus para a região e para o povo filisteu :

Sofonias 2:5

Ai dos habitantes da costa do mar, a nação dos quereteus! A palavra do SENHOR será contra vós, ó Canaã, terra dos filisteus; e eu vos destruirei, até que não haja morador.

Ezequiel 25:15-16:

 “Assim diz o Senhor DEUS: Porquanto os filisteus se houveram vingativamente, e executaram vingança com desprezo de coração, para destruírem com perpétua inimizade, portanto assim diz o Senhor DEUS: Eis que eu estendo a minha mão sobre os filisteus, e arrancarei os quereteus, e destruirei o restante da costa do mar”.

O rei Nabucodonozor levou cativo também os Filisteus e nunca mais na história  se ouviu falar deles.

A palavra “Filistin ”  ( Filisteus) é muito parecida com a palavra “Palestina”,  por quê?

Filístia em Hebraico é “Filistin”, que é Palestina no Português.

Observem os mapas de Israel nas suas bíblias. Que nome vocês observam no mapa de Israel?

O nome “Palestina” foi um nome que os romanos deram a Israel após o ano 70d.C.  (quando o povo Filisteu já tinha desaparecido)

Após esta data, Israel foi invadida por vários impérios, e durante quase 2000 anos foi conhecido como Palestina, apesar de vários povos  diferentes o terem dominado.

Finalmente a “Palestina” passa a ser controlada pela Inglaterra, e seus últimos habitantes eram de maioria árabe  (Ismaelitas ) denominados “Palestinos”.

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 Em 1948, cria-se o Estado de Israel em seu território historicamente conhecido: em Israel.

A Faixa de Gaza (até então improdutiva)  foi anexada ao território israelense em 1967, junto com Jerusalém, se tornando em uma região altamente importante economicamente para Israel devido ao incansável esforço judaico.

O quê fazer com os moradores árabes que habitavam a Palestina? Observação importante: Palestina nunca existiu como Nação reconhecida pela ONU. Não tem um território, não tem uma moeda, não tem uma língua própria, não tem um Presidente e sim uma “Autoridade Palestina”.

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Israel foi subdividido várias vezes para acomodar o povo árabe que permaneceu em seu território, e um dos locais para este assentamento foi o lugar onde originariamente foi dominada pelos Filisteus : Gaza, que foi entregue aos árabes ‘palestinos’ em 2005.

O Governo de Gaza não se contenta apenas com este território, ele almeja varrer Israel do mapa e dominar Jerusalém, para fazer dela a habitação de  “Alah”, demonstrando que a guerra é espiritual e não física, pois Jerusalém é a habitação do Deus de Israel.(Joel 13:7)

Gaza foi entregue à população palestina a fim de viabilizar um território Palestino de fato.

Gaza foi entregue com toda a infra estrutura necessária para se tornar um País independente.

Fatah – Governo da Autoridade Palestina.

Hamas – Fundamentalistas islâmicos. Grupo Terrorista que matou os líderes do Fatah em Gaza e atualmente foi eleito como Governo oficial de Gaza.

Necessidade dos muros que circundam Gaza, e do bloqueio egípcio e israelense: impedir ataques terroristas dentro de seus territórios.

Gaza: contribuindo para um propósito escatológico.

De “Israel” para “Palestina”:

Tentativa do inimigo de frustrar e anular a identidade de Israel, colocando em seu território  o nome de um dos inimigos mais mortais de Israel, a fim de impedir a memória bíblica e escatológica de Israel como nação fundamental para os últimos dias que antecedem a vinda do Messias .

Gaza: um território que já está ajudando a influenciar a opinião mundial contra Israel, contribuindo fundamentalmente para a montagem do cenário mundial para o anti Cristo e o ajuntamento das nações contra Israel.

Posição de Gaza escatologicamente:

A maioria das nações árabes estão contra Israel e aproveitando a situação em Gaza para agitar o mundo não árabe também contra Israel. (com a ajuda da mídia)

Segundo Joel 3:9,21  ; Zacarias 14:1-4 e Ap. 16:13-16 ; 19:11-21 : O anticristo chefiará as nações do mundo, avançará para exterminar Israel e lutar contra Deus.

Zc.12:3

 “E acontecerá naquele dia que farei de Jerusalém uma pedra pesada para todos os povos; todos os que a carregarem certamente serão despedaçados; e ajuntar-se-ão contra ela todo o povo da terra.

Zc.14:2

“ Porque eu ajuntarei todas as nações para a peleja contra Jerusalém”

Israel clama por oração.

Pedido de um Jornal Israelense:

“Se existir um tempo para oração, este é agora”

A promessa do Senhor:

Joel 3:17

   “E vós sabereis que eu sou o SENHOR vosso Deus, que habito em Sião, o meu santo monte; e Jerusalém será santa; estranhos não passarão mais por ela.”

Zc12:10 :

“Mas sobre a casa de Davi, e sobre os habitantes de Jerusalém, derramarei o Espírito de graça e de súplicas; e olharão para mim, a quem traspassaram; e pranteá-lo-ão sobre ele, como quem pranteia pelo filho unigênito; e chorarão amargamente por ele, como se chora amargamente pelo primogênito. Naquele dia será grande o pranto em Jerusalém, como o pranto de Hadade-Rimom no vale de Megido.”

Continuaremos…

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ISRAEL, NAÇÃO SACERDOTAL – PARTE IV

Igreja e Israel – Formação do Israel Espiritual

IsraelA primeira vez em que a Bíblia menciona um “Israel Espiritual” está em Gn 35:10 e 11:

E disse-lhe Deus: O teu nome é Jacó; não se chamará mais o teu nome Jacó, mas Israel será o teu nome. E chamou o seu nome Israel. Disse-lhe mais Deus: Eu sou o Deus, Todo-Poderoso; frutifica e multiplica-te; uma nação e multidão de nações sairão de ti…

 Gên 35:10  ויאמר־לו אלהים שׁמך יעקב לא־יקרא שׁמך עוד יעקב כי אם־ישׂראל יהיה שׁמך ויקרא את־שׁמו ישׂראל׃

  Gên 35:11   ויאמר לו אלהים אני אל שׁדי פרה ורבה גוי וקהל גוים יהיה ממך ומלכים מחלציך יצאו׃

Observe:

De Jacó (Israel) sairia uma nação = Israel

E também uma multidão de nações = Igreja Gentílica

Multidão de Nações = Kahal Goyim וקהל גוים

(Kahal = Congregação, Assembléia / Goyim = Gentios, Estrangeiros)

Repare:

Deus separou Israel em relação à Igreja Gentílica quando disse “e”… deixando claro que cada um tem a sua própria identidade.

Deus só deu a promessa de uma igreja gentílica a Jacó após ter mudado seu nome.

Para compreendermos o que é o “Israel de Deus” também precisamos entender o que significa “Israel”:

Então disse: Não se chamará mais o teu nome Jacó, mas Israel: pois como príncipe lutaste com Deus e com os homens e prevaleceste. Gn 32:28

Israel Significa:

  • Príncipe com Deus
  • Ele luta com Deus
  • O que luta com Deus
  • Que Deus persevere

Nem todos os filhos, segundo a descendência de Abraão, são “Israel de Deus”

O que a Bíblia nos diz de “ser um israelita”:

Rm 9:6-8

Não que a palavra de Deus haja faltado, porque nem todos os que são de Israel são israelitas; nem por serem descendência de Abraão são todos filhos; mas: Em Isaque será chamada a tua descendência.

Isto é: não são os filhos da carne que são filhos de Deus, mas os filhos da promessa são contados como descendência.

Texto bíblico

Rm 9:10, 12-13

E não somente esta, mas também Rebeca, quando concebeu de um, de Isaque, nosso pai… Foi-lhe dito a ela: O maior servirá o menor. Como está escrito: Amei Jacó, e aborreci Esaú.

O Israel Espiritual

O Israel Espiritual:

Gl 6:15-16

Porque, em Cristo Jesus, nem a circuncisão nem a incircuncisão têm virtude alguma, mas, sim, o ser uma nova criatura. E, a todos quantos andarem conforme esta regra, paz e misericórdia sobre eles, e sobre o Israel de Deus.

O “Israel de Deus” mencionado por Paulo se tornou uma das expressões mais incompreendidas do Novo Testamento.

Israel de Deus

Ela é usada erroneamente nos dois extremos:

1) Aqueles que defendem a Teologia da Substituição dizem que a Igreja é o Novo Israel que substituiu os judeus. Portanto Israel deixou de ser o povo de Deus.

2) Alguns judeus afirmam que a expressão de Paulo está falando exclusivamente dos judeus e que “Israel” jamais poderia significar os gentios.

Nova Criatura

Ora, havia na Galácia os Judeus Messiânicos e os Gentios Messiânicos. Esta era a Igreja dos Gálatas, isto é, tanto judeus quanto gentios aliançados com Jesus e este era o povo que recebeu a epístola de Paulo.

Paulo está dizendo aos moradores da Galácia:

“a todos que vivem conforme a regra, isto é, o SER NOVA CRIATURA”.

Este é o Israel Espiritual. A união dos judeus que se tornaram NOVA CRIATURA através da graça do Senhor Jesus Cristo junto aos gentios que “endossaram” o sacrifício de Jesus.

O exemplo da Oliveira

Rm 11:17-23

E, se alguns dos ramos foram quebrados, e tu, sendo zambujeiro,foste enxertado em lugar deles, e feito participante da raiz e da seiva da oliveira, não te glories contra os ramos; e, se contra eles te gloriares, não és tu que sustentas a raiz, mas a raiz a ti. Dirás, pois: Os ramos foram quebrados, para que eu fosse enxertado. Está bem; pela sua incredulidade foram quebrados, e tu estás em pé pela fé; então não te ensoberbeças, mas teme. Porque, se Deus não poupou os ramos naturais, teme que te não poupe a ti, também. Considera, pois, a bondade e a severidade de Deus: para com os que caíram, severidade; mas, para contigo, a benignidade de Deus, se permaneceres na sua benignidade; de outra maneira, também tu serás cortado. E também eles, se não permanecerem na incredulidade, serão enxertados; porque poderoso é Deus para os tornar a enxertar.

A figura da Oliveira e do Zambujeiro nos dá a idéia deste Israel Espiritual:

  • Alguns ramos (judeus) foram cortados, mas não todos.
  • Os gentios foram enxertados em Israel e passaram a ser “um” com eles.
  • Em todo enxerto a árvore original é ferida.
  • Todo ramo enxertado perde as suas características originais.
  • Enquanto o ramo enxertado permanecer na árvore receberá de sua seiva e produzirá os mesmos frutos da árvore original

Deus tem uma Oliveira que é cultivada por Ele.

Esta é o Seu “Israel Espiritual”. Ela foi formada por Deus e herdará todas as Suas promessas.

Continua…

Israel, Nação Sacerdotal – Parte III

Antes de iniciar a leitura deste post, leia Parte I e Parte II.

Israel Salmo 139.13-14, o rei Davi expressa as seguintes palavras para o Senhor: “Pois possuíste os meus rins; cobriste-me no ventre de minha mãe. Eu te louvarei, porque de um modo assombroso, e tão maravilhoso fui feito; maravilhosas são as Tuas obras, e a minha alma o sabe muito bem”.

Davi reconhece que Deus nos criou de forma esplendorosa, uma grande obra, uma criação competente. Por isso há um propósito e um destino para cada um de nós. Mas o Senhor ainda nos capacita com todos os dons para cumprir esse propósito. Ninguém pode nos tirar os dons dados por Deus.

No verso 16 Davi diz que “no Teu livro foram escritos todos os meus dias, quando nem um deles havia ainda”. Deus nos lembra que Ele já nos deu os primeiros frutos, a salvação na Páscoa.

A seguir vem a ordem de contar o ômer, marcar cada broto.

O broto a nível pessoal representa o dom que Deus lhe deu e ainda não se desenvolveu. Todos os dons que recebemos de Deus são como pequenos brotos; precisamos cuidar de cada um deles até alcançarem a maturidade.

Precisamos remover o mato que cresce em volta, e nada atrapalha mais o desenvolvimento dos dons que Deus nos deu do que um caráter mau ou uma atitude ruim.

O Senhor nos dá 50 dias a cada ano para reflexão e assim podemos arrancar o mato do nosso caráter, desenvolvendo a integridade nos mínimos detalhes.

Se fizermos isso todo ano, passaremos bem o resto do ano e faremos uma grande colheita.

 Cuidar dos brotos é apenas o primeiro passo, mas depois de 50 dias deve-se reunir os dons, juntamente com os esforços dispensados a eles, e dedicar ao Senhor.

Deus é Senhor das colheitas, você é o senhor das primícias dos primeiros frutos. O que você fizer com a primícia dos primeiros frutos determinará o que Deus fará com a colheita em sua vida.

Dt 16.16, “Três vezes ao ano todo homem entre ti aparecerá perante o Senhor teu Deus, no lugar que escolher, na festa dos pães ázimos, e na festa das semanas, e na festa dos tabernáculos; porém ninguém aparecerá vazio diante perante o Senhor”.

O que podemos dar a Deus que Ele queira?

 Gratidão

Gratidão pela salvação, coração grato e ações de graça são as primeiras ofertas de sacrifício.

Quando entregamos os primeiros frutos, dons e talentos tem início a colheita, Zc 4.6 “Não por força, nem por violência, mas sim pelo meu Espírito”.

Quando chega a festa de Tabernáculos, celebraremos a colheita.

Caminhe em salvação, gratidão e invista seus esforços nos primeiros frutos e os dedique ao Senhor, assim haverá grande colheita.

O Pai deseja as primícias dos primeiros frutos em sinal de obediência. Isto agrada o nosso Pai.

 A ideia do Senhor era entregar a Sua lei a cada israelita e que cada um deles se tornassem um sacerdote com o propósito de alcançar outros indivíduos de outras nações.

Essa proposta é comprovada em Dt 12.11-12.

Todo israelita deveria comparecer perante o Senhor no lugar que Ele escolhesse dentre todas as tribos, para ali levar os seus sacrifícios, dízimos, votos e ofertas. Os dízimos eram entregues aos sacerdotes e levitas.

Mas aqui o Senhor fala em levar os dízimos e degolar e comer diante d’Ele.

O fato aqui descrito mostrava a disposição de Deus em demonstrar a cada israelita, que se o mesmo tinha o direito de comer do dízimo, ou segundo dízimo, teria também os privilégios do sacerdote.

Todo privilégio ou direito pressupõe responsabilidades e deveres. Se todo israelita experimentava os privilégios e a sua posição de sacerdote, deveria cumprir também as suas responsabilidades, fazendo o seu papel de sacerdote para as outras nações.

Com esse sistema em que cada israelita deveria se alegrar perante o Senhor, comendo do fruto da terra, eles seriam vistos pelas outras nações como sacerdotes, cumprindo assim suas funções de instruí-los a buscar e servir ao Deus de Israel.

Existe nesse texto de Deuteronômio o relato das responsabilidades de cada israelita como sacerdote, e que são aplicáveis a nós como cristãos (IPe 2.9):

  1. Sempre separar no terceiro ano, o dízimo do pobre.
  2. Perdoar as dívidas no sétimo ano (ano sabático).
  3. Devolver terras no ano do Jubileu.
  4. Práticas de justiça (Tsadaqa).

A igreja entendida como cada cristão individualmente deve agir como nação sacerdotal do Reino de Deus, manifestando através de atitudes compatíveis com a Palavra de Deus os valores eternos do Reino, com a prática da justiça.

Continua…

ISRAEL, NAÇÃO SACERDOTAL – PARTE II

Êxodo 19.5, “agora se ouvirdes a minha voz e obedecerdes à minha aliança, sereis como meu tesouro pessoal dentre todas as nações, ainda que toda a terra seja minha propriedade.”

Parte IIO povo de Israel seria uma propriedade peculiar, um tesouro precioso, que seria cuidado com todo o zelo pelo Senhor. Uma nação escolhida entre todas as outras nações. Interessante notar que não há qualquer desprezo pelas outras nações, pois o próprio Senhor declara que toda a terra é d’Ele. Isso incluía as outras nações dentro do objetivo do Senhor que seria alcançá-las por intermédio da nação sacerdotal de Israel.

Não que todos os israelitas fossem sacerdotes dentro de Israel. A ideia é que cada israelita, por haver recebido a Lei de Moisés, seria um sacerdote para as outras nações, como instrumento de instrução espiritual. No que tocava a outras nações, todos os israelitas eram sacerdotes.

Todo o povo de Israel tinha um tipo de sacerdócio, pois era o administrador da Torah.

Nação santa mediante uma revelação divina, pois o povo de Israel estava sendo capacitado a se tornar santo como o Senhor, tendo como base ser possuidora do supremo código moral que revelava a vontade de Deus.

O primeiro passo para ser uma nação sacerdotal era a escolha, ninguém se faz sacerdote se não por uma escolha do Senhor. Israel foi escolhido para isso.

A nação sacerdotal teria alguns requisitos a cumprir para executar de forma adequada a sua função:

1) ouvir a voz do Senhor,

2) obedecer a aliança, que estava prestes a ser dada à nação por intermédio de Moisés, a Torah.

3) servir ao Senhor e prestar culto exclusivamente a Ele.

A chamada ao sacerdócio para toda a nação é reforçada na entrega das tábuas da aliança, quando o Senhor emite a Sua voz direcionada a cada membro dessa nação individualmente. O verbo em hebraico está na segunda pessoa do singular, “Não terás, não matarás.”

Como então, cumprir o chamado de Deus e por onde começar?

Tudo o que Deus planejou para acontecer, acontecerá. Ele sempre quer trabalhar em conjunto conosco, como co-herdeiros de Seu Reino.

No plano específico de Deus e no propósito para a vida de seus servos, há algumas coisas que precisam ser feitas primeiro para que os servos possam cumprir a sua parte no plano d’Ele.

A ordem correta de Deus deve ser seguida para que os propósitos de Deus se cumpram na nação, na cidade, na família ou na vida pessoal, logo, é preciso entender a ordem correta de Deus.

  • Durante o ano bíblico, há apenas uma estação singular chamada “Contagem do Ômer”. Êx 23.19 e Dt 16.9
  • Ela ocorre entre a Festa da Páscoa e a de Shavuot.
  • O Senhor ordenou aos filhos de Israel que contassem o ômer por 50 dias, começando no dia seguinte ao da Páscoa.
  • Um ômer é um feixe. Contar um ômer é um princípio muito importante e um mandamento no calendário bíblico. Contar o ômer requer cinquenta dias de obediência.
  • Para que a obediência seja realizada é necessário que isso seja registrado. O Senhor nos lembra todos os anos que temos algo a fazer por cinquenta dias.

 A Páscoa simboliza a libertação do Egito. Tornar-se livre é o início de tudo. Até sermos livres, não podemos cumprir nosso destino. Por isso todos os anos o Senhor nos lembra, através da Sua Palavra, deste dia importante, quando devemos começar a contar, e fazê-lo por cinquenta dias.

Ao final deste período, celebramos Shavuot, é nesse momento que começamos a nos preparar para a colheita, trazendo os primeiros frutos e dedicando-os ao Senhor.

Segundo a tradição, os agricultores saíam pelos campos no primeiro dia depois da Páscoa e marcavam os primeiros brotos- os primeiros frutos do campo.

Durante 50 dias além de contar, eles aguavam, arrancavam o mato e cuidavam para que os brotos crescessem e se transformassem em frutos.

Aos 50 dias eles recolhiam os brotos marcados e levavam ao Templo do Senhor na Festa de Shavuot. Isso, sendo feito, em sinal de obediência ao Senhor, geraria uma benção, com colheitas abundantes.

A diferença de dízimo(10 por cento) para ômer (100 por cento) é que neste o Senhor pede tudo, as primícias dos primeiros frutos. Entregando a Ele, investimos nossos esforços naquilo que Deus havia nos dado previamente. Temos que salvaguardar Suas dádivas, garantindo que elas produzam frutos que dedicaremos a Ele, levando-os à Sua presença.

Deus os multiplicará até que se transformassem em colheita.

Continua…

Instituto Abba

Graça – Por Beth Alves – Parte II

GraçaEste é o óbvio que precisa ser radicalmente resgatado. A graça está por toda parte… A situação “correta” seria buscarem um paninho para tampar o corpo quase nu da garota. Mas, em vez disso, a acolheram com graça, favor imerecido.

Se procurarmos, cada um de nós tem vários relatos sobre graça para contar. Fica claro que é mais fácil transmitir graça do que explicá-la. E amados irmãos, o mundo não pode oferecer graça, a igreja pode.

Definição/Morfologia

Ml 1:9 – Agora, pois, suplicai o favor de Deus, que nos conceda a sua graça, mas com tais ofertas nas vossas mãos, aceitará ele a vossa pessoa? – diz o Senhor dos Exércitos.

Chanan – Estar inclinado benevolentemente em relação a alguém; ter compaixão por alguém; conceder favor para uma pessoa necessitada; atitude marcada pela compaixão, generosidade e bondade.

2 Co 12:9 – Então, ele me disse: A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas para que sobre mim repouse o poder de Cristo.

Charis – Da mesma raiz de chara (alegria) e chairo (regozijar). Charis causa regozijo. È a palavra para a graça de Deus conforme estendida ao ser humano pecador. Significa favor e benção imerecidos, um dom livre.

Zc 12:10 – E sobre a casa de Davi e sobre os habitantes de Jerusalém derramarei o espírito da graça e de súplicas; olharão para aquele a quem traspassaram; pranteá-lo-ão como quem pranteia por um unigênito e chorarão por ele como se chora amargamente pelo primogênito.

Chen – Favor, graça, graciosidade, bondade, beleza, amabilidade, charme, atratividade, encanto, olhar.

A raiz “chanan” significa “agir graciosa ou misericordiosamente em relação a alguém; ser apaixonado, estar favoravelmente inclinado”.

A graça de Deus derramada sobre Jerusalém capacita-os a olhar ansiosamente e com súplicas em direção ao seu rei traspassado. A graça de Deus fará com que Israel possa enxergar Jesus como alguém com infinita beleza. Sua bondade os capacita a se arrependerem. O Espírito Santo é chamado “Espírito da Graça” em Hb 10:29, um título, com certeza inspirado por essa referência de Zacarias.

Dicionário Larousse:

1 – favor concedido ou recebido, benefício, dádiva, mercê.

2 – perdão, indulto.

3 – atrativo peculiar a uma pessoa ou coisa, encanto, elegância.

4 – na teologia católica, auxílio sobrenatural que Deus concede aos homens para que eles alcancem a salvação.

5 – nome de batismo

6 – espírito, humor.

7 – gracejo.

8 – graças a – em virtude de…

De graça – gratuitamente

Dar graças – agradecimento.

 Dicionário Aurélio:

1 – Favor dispensado ou recebido; mercê, benefício

2 – Ato de clemência do poder público, que favorece um condenado; mercê

3 – Beleza, elegância

4 – Dito ou ato espirituoso; gracejo, chiste

5 – O nome de batismo

6 – Favor ou mercê concedida a alguém por Deus

De graça:

  1. Gratuitamente, sem pagamento
  2. Fig. Muito barato

StrongÇ

  1. Apalavra Charis

No Novo Testamento a palavra “graça” é sempre uma tradução do (χαρις, Charis), uma palavra que ocorre no texto grego algo mais de 170 vezes. No grego de todos os períodos, também é uma palavra muito comum.

(a) A palavra parece denotar a aparência externa agradável. Tal utilização é encontrada em Lc 4: 22, quando se maravilhavam das palavras que Lhe saiam da boca, do encanto das suas palavras; e de forma semelhante no Cl 4: 6.

(b) Objetivamente, Charis denotar a impressão produzida por em 3 Jo 1: 4 – “não tenho maior gratificação do que esta” (mas muitos manuscritos se lê “alegria”).

(c) Como um atributo mental Charis pode ser traduzida por gracioso, cheio de graça. Portanto, em Lc 2: 52, “Jesus avançava em favor com Deus e os homens.

(d) Charis denota a emoção de gratidão. Lc 17: 9. Em um sentido ligeiramente transferidos Charis designa as palavras ou emoção em que é expressa gratidão e, por isso, torna-se “obrigado” (cerca de 10 vezes, Rm 6: 17 e outras)

(e) Concretamente, Charis pode significar o ato pelo qual se expressa dádivas, ofertas, como em 1Co 16: 3, onde a KJ traduz por “liberalismo”, e a versão revista (britânicos e americanos) por “graça.” Estes diferentes significados naturalmente tendem a mistura em si, e, em certos casos, é difícil fixar o significado preciso da palavra.

  1. Graça como poder

A grande elasticidade da palavra lhe permitiu receber mais um significado. Em primeiro lugar, Charis pode significar “um dom.” Em 1Co 16: 3; 2Co 8: 19, é o dinheiro dado pelos Coríntios para os habitantes de Jerusalém. Em 2Co 9: 8, é o aumento de bens mundanos que Deus concede para fins de caridade. Em 2Co 1: 15 é o benefício recebido pelo Coríntios a partir de uma visita de Paulo. Em um sentido mais espiritual Charis é a capacitação para o serviço na igreja (Ef 4: 7). (Ver também Rm 1: 5; Rm 12: 3; Rm 15: 15; 1Co 3: 10; Ef 3: 2, Ef 3: 7).

Por isso, em 1Co1 :4-7 , Charis é expandida em “palavra e todos os conhecimentos,” dotes com os quais os coríntios foram especialmente favorecidos. Em 1Pe 1: 13, Charis é o futuro celeste que os cristãos esperam receber; em 1Pe 3: 7, é a atual oferta de “vida”.

Em segundo lugar, Charis é a palavra para favor de Deus, um significado que é especialmente refinado por Paulo. Mas a graça de Deus é diferente da graça dos homens porque a graça de Deus não pode ser concebida por troca ou por ações, obras. Uma condição de Deus acerca da liberação da benção é a necessidade que o homem apresenta de receber aquilo. Entre “graça de Deus” e” favores de Deus” existe uma relação de poder, e como Charis denota tanto a graça como os favores, foi natural a palavra ser usada para poder. Esta utilização é muito clara em 1Co 15: 10, onde Paulo diz, “Eu não, mas a graça de Deus que estava em mim” trabalhei mais que todos eles: graça é algo que trabalha, opera.

Por isso, em 2Co 12: 9, “A minha graça é suficiente para ti: porque o poder se aperfeiçoa na perfeita fraqueza”; comparar com 2Tm 2: 1” fortifica-te na graça”, e 1Pe 4: 10, “mordomos da multiforme graça.” Evidentemente, neste sentido “graça” é quase um sinônimo para o Espírito, e existe pouca diferença real entre o “cheia do Espírito Santo” e “cheio de graça e de poder” em At 6: 5, At 6: 8, ao passo que há um paralelo muito marcante entre Ef 4 :7-13 e 1Co 12 :4-11, como “dons de graça” em uma passagem, e “dons do Espírito” na outra.

E esta ligação entre a graça e o Espírito é encontrada definitivamente na fórmula “Espírito da graça” em Hb 10: 29 (compare Zc 12: 10). E, como é sabido, é a partir deste sentido da palavra que a doutrina católica de graça foi desenvolvida.

  1. Graça na Justificação

Este significado de Charis foi obtido pela ampliação e combinação de outros significados. Ao contrário do processo de restringir à forma de um dos significados da palavra, ela entra em teologia cristã como um termo técnico, mas desta vez, em um sentido mais distinto.

A formatação deste sentido especial parece ter sido o trabalho de Paulo. Quando Charis é usado com o sentido de “graça”, não está implícito quanto a saber se é um favor merecido ou não.

Assim, por exemplo, no Novo Testamento, quando em Lc 2: 52 é dito que “Jesus crescia em graça diante de Deus e dos homens”, é possível pensar que Jesus o recebia de Deus não por merecimento. Compare também Lc 2: 40 e At 2: 47 e, com menos clareza casos como Lc 1: 30; At 7: 46; Hb 4: 16; Hb 12: 15, Hb 12: 28.

A formação deste sentido da palavra se deve, desde o começo, ao trabalho de Paulo e apresenta uma característica fundamental do cristianismo – o não merecimento. A passagem fundamental é Rm 11: 5 e 6, onde é dado como uma definição, “Se é por graça, não é por obras, do contrário, a graça já não é graça”. Aqui a palavra usada em outros sentidos poderia ter causado no leitor do primeiro século a perda do sentido.

“Graça”, neste sentido é uma atitude da parte de Deus que procede inteiramente dentro dele próprio, e que em nada é condicionado por qualquer coisa nos objetos da Sua graça (os homens, por exemplo). Assim como em Rm 4: 4. Se a salvação é dada com base no que um homem tem feito, então a salvação é dada por Deus como o pagamento de uma dívida. Mas quando a fé é que conta por aquilo, e não retidão, não há nenhuma reclamação sobre o homem fazer sua parte, e ele recebe como um dom puro, algo que ele não ganhou. (É bem verdade que a fé envolve esforço moral, e isso pode ser pensado como uma espécie de “trabalho”, é bem verdade que a fé faz algo como uma preparação para a recepção de novas ofertas de Deus.)

“Graça”, então, nesse sentido é o antônimo de “obras” ou a “lei”, que tem uma relação especial para a culpa do pecado (Rm 5: 20; Rm 6: 1), e tem quase exatamente o mesmo sentido como “misericórdia.”

Continuaremos…

Até o próximo post, Beth Alves.