Falando de Rosh Hashaná, conhecemos os calendários?

Calendário gregoriano

julianoO nosso calendário, chamado gregoriano, embora seja o calendário oficial da maior parte dos países do mundo, é relativamente recente e tem pouco mais de 5 séculos de vida. Ele foi criado pelo papa Gregório XIII, em 1582. É um calendário que se baseia no sol, tendo um total de 365 ou 366 dias nos anos bissextos, que temos a cada 4 ano. No ano bissexto, o mês de fevereiro tem 29 dias.

Calendário juliano

O calendário gregoriano deriva do calendário juliano, que também é um calendário solar, criado no tempo do Imperador Júlio Cesar – por isso “juliano”, exatamente no ano 46 antes do nascimento de Cristo. Tornou-se o calendário oficial do império romano e o seu uso se estendeu por todo o ocidente. Apesar da reforma do Papa Gregório, o calendário continou sendo usado por muitas nações, que se conformaram com o novo calendário só mais tarde (a Rússia somente no século passado). Muitas igrejas, sobretudo relacionadas com a Igreja ortodoxa, continuam, ainda hoje, usando esse calendário como calendário litúrgico. É por isso que nas igrejas ortodoxas o natal não se celebra no dia 25 de dezembro, mas dia 7 de janeiro. E também outras festas caem em data diferente.

Diferença entre calendários juliano e gregoriano

Não existe muita diferença entre os calendários juliano e gregoriano. A reforma do Papa Gregório foi realizada porque havia um erro no calendário juliano. Em cada ano, no calendário juliano, se perdia 11 minutos e 14 segundos. Por isso, a cada 128 anos ficava pra trás um dia. De 325 ate 1582 foram acumulados 10 dias de diferença. Isso fazia com que a Páscoa Católica, por exemplo, fosse celebrada em data errada. Decidiu-se, então recuperar os dias perdidos e mudar a duração média do ano. Para recuperar os 10 dias perdidos se estabeleceu que o dia seguinte ao 4 de outubro de 1582 fosse o dia 15 de outubro. Para corrigir o erro da duração  média do ano, foi necessário mudar a regra que decidia quando um ano era bissexto, ou seja, os anos cuja numeração é múltipla de 100 são bisextos somente se ao mesmo tempo é também múltipla de 400. Ou seja, são bisextos 1600, 2000, 2400…, mas não 1900, 2100… Todos os outros anos em que o número é multiplo de 4 continuam bisextos. Deste modo existem, a cada 400 anos, 97 anos bisextos, enquanto que antes do papa Gregório haviam 100.

Apesar da reforma, o calendário não é perfeito. De fato é necessário, de vez em quando, acrescentar 1 segundo, à meia noite do dia 31, para manter alinhado o ano astronômico com o civil. Entre 1972 e 2005 foram acrescentados 23 segundos. Mesmo com essa correção, o calendário gregoriano fica atrás de um dia a cada 3.323 anos. Como vimos, o juliano perde um dia a cada 128 anos.

Calendário muçulmano

calendario-islamicoA contagem dos anos do calendário muçulmano começa a partir do momento em que o profeta Maomé se mudou de Meca para Medina, no ano 622 do calendário gregoriano. Essa mudança é denominada “Hégira” e por isso o calendário é chamado de Hégira.

O calendário muçulmano também é composto de 12 meses, com 29 ou 30 dias. O calendário é lunar. Também tem um sistema de ano bissexto, para compensar os dias que faltam para o calendário astronômico. De qualquer forma existe uma diferença substancial entre os calendários gregoriano e muçulmano. Enquanto o gregoriano tem 365,2424 dias por ano, o muçulmano tem 354,3666. Isso dificulta um cálculo automático do calendário . Atualmente  os muçulmanos estão no ano 1436.

Calendário copta

O calendário copta, chamado ainda de calendário alexandrino, é usado pelas igrejas coptas ortodoxas do Egito e da Etiópia. Esse calendário é muito antigo e tem sua origem no calendário egípcio, reformado pelos ptolomeus, por volta do ano 300 antes de Cristo.

O ano novo copta cai no dia 11 de setembro do calendário gregoriano. A conta dos anos começa no ano 284, no período do imperador Dioclesiano, que perseguiu de forma violenta os cristãos, especialmente no Egito. A abreviação que acompanha o ano copta é “A.M” e lembra exatamente essa época (Annus Martyrum – ano dos mártires).

Calendário hebraico ou judaico

hebrew_calendarPara o contexto biblico, é importante sublinhar o calendário hebraico. É o calendário oficial do estado de Israel e tem suas origens no calendário babilonês. Trata-se de um calendário lunar, baseado no movimento da lua. O ano é composto por 12 ou 13 meses, cada um com 29 ou 30 dias. Cada início do mês coincide com o primeiro dia da lua nova.

Antigamente, no tempos bíblicos, a determinação do início do mês era feita através da observação direta da lua, que era realizada por pessoas designadas para esse fim. Alguns ramos do judaísmo observam esse método ainda hoje. Todavia, existe um calendário fixo, baseando sempre no movimento da lua, mas que é ajustado em base ao movimento do sol. As festas bíblicas são definidas em base a este calendário: sendo algumas intimamente ligadas ao ciclo da natureza, devem cair na estação certa.

O calendário hebraico considera um siclo de 19 anos, que são divididos em normais (peshutim) e especiais (meubbarim). Os anos especiais são compostos de 13 meses. Os anos especiais são o terceiro, sexto, oitavo, décimo primeiro, décimo quarto, décimo sétimo e décimo nono do ciclo. O mês lunar dura 29 dias, 12 horas, 44 minutos e 3 segundos. Isso faz com que, em relação ao calendário solar, o calendário lunar fica atrás de aproximadamente 10 dias e 21 horas num ano.

Graças ao décimo terceiro mês, se consegue recuperar essa diferença, ficando para trás apenas 7 minutos a cada ano. O ano novo no calendário hebraico se chama Rosh Hashana, o dia do julgamento, quando Deus julga cada pessoa individualmente conforme as suas ações, estabelecendo um decreto para o ano que segue. Neste dia se toca o shofar, feito com o chifre de carneiro.

O ano novo (Rosh Hashananh) cai no dia 1 do mês Tishrei. Em 2015 esse dia coincidiu com o dia 13 de setembro ao surgir a primeira estrala no céu. Algumas correntes celebram 2 dias de festa, o dia primeiro e segundo de Tishrei, enquanto que as comunidades reformistas celebram num único dia. A tradição rabínica retém que foi nesse dia que Deus terminou a criação do mundo.

Próximos anos novos do calendário hebraico:  (5776) – 14 de setembro | 2016 (5777) – 3 de outubro | 2017 (5778) – 21 de setembro.

Anúncios

Tefilin

Também as atarás por sinal na tua mão e te serão por frontais entre os teus olhos.  Deuteronômio 6:8

Tefilin

O termo Tefilin vem da palavra Tefilá que significa oração, prece. Tefilá, por sua vez vem do verbo palal que significa intervir, interpor, orar. Também são derivados de palal:

palil – avaliação, estimativa;

pelila – ofício de juiz ou árbitro

peliliya – raciocínio

Consiste em duas pequenas caixas quadradas de couro de um animal casher, animais limpos segundo a lei (Levítico 11). Devem formar um quadrado perfeito e as tiras de couro que saem da caixa devem ser pintadas de preto, sem qualquer falha. Dentro de cada caixa encontram-se escritos em pergaminho (que também é feito de um animal casher), quatro versos da Toráh.

A Torá diz apenas “Também as atarás por sinal na tua mão e te serão por frontais entre os teus olhos em Dt 6:8. Segundo a Tradição Judaica, os detalhes de como devem ser escritos, preparados, encaixados os textos foram transmitidos através da Tradição Oral, a partir de Moisés (Moshé) que recebeu todos os detalhes do procedimento diretamente de Deus, até que foram anotados pelos sábios na Mishná, no Talmud e no Shulchan Aruch, para que não fossem perdidos.

As caixinhas são chamadas de “de-cabeça”- shel rosh “e “de-mão”- shel yad.

A caixinha “de-mão” é colocada sobre o braço esquerdo de maneira a ficar encostada junto ao coração, sede das emoções, com a correia de couro suspensa sendo enrolada na mão esquerda, bem como no dedo médio. Tem uma única divisão com as passagens da Toráh em um só pergaminho.

A “de-cabeça” é colocada acima da testa, de maneira a ficar sobre o cérebro. Contém quatro divisões com pergaminhos sobre os quais estão escritas quatro passagens da Toráh.

Os Tefilin são colocados no braço, junto ao coração e sobre a cabeça a partir do momento em que o menino judeu completa 13 anos,  no seu bar- mitsvá (filho do mandamento). Isto significa a ligação dos poderes emocionais e intelectuais a serviço de Deus para o povo judeu.

As tiras, estendendo-se do braço para a mão e da cabeça às pernas significam a transmissão da energia intelectual e emocional para as mãos e os pés, simbolizando sentimento e ação.

Tefelin

O Conteúdo:

clique e leia:

Êxodo 13:1-10

וידבר יהוה אל־משׁה לאמר׃

 קדשׁ־לי כל־בכור פטר כל־רחם בבני ישׂראל באדם ובבהמה לי הוא׃

  ויאמר משׁה אל־העם זכור את־היום הזה אשׁר יצאתם ממצרים מבית עבדים כי בחזק יד הוציא יהוה אתכם מזה ולא יאכל חמץ׃

  היום אתם יצאים בחדשׁ האביב׃

  והיה כי־יביאך יהוה אל־ארץ הכנעני והחתי והאמרי והחוי והיבוסי אשׁר נשׁבע לאבתיך לתת לך ארץ זבת חלב ודבשׁ ועבדת את־העבדה הזאת בחדשׁ הזה׃

  שׁבעת ימים תאכל מצת וביום השׁביעי חג ליהוה׃

  מצות יאכל את שׁבעת הימים ולא־יראה לך חמץ ולא־יראה לך שׂאר בכל־גבלך׃

  והגדת לבנך ביום ההוא לאמר בעבור זה עשׂה יהוה לי בצאתי ממצרים׃

  והיה לך לאות על־ידך ולזכרון בין עיניך למען תהיה תורת יהוה בפיך כי ביד חזקה הוצאך יהוה ממצרים׃

  ושׁמרת את־החקה הזאת למועדה מימים ימימה׃

clique e leia:

Êxodo 13: 11-16

  והיה כי־יבאך יהוה אל־ארץ הכנעני כאשׁר נשׁבע לך ולאבתיך ונתנה לך׃

 והעברת כל־פטר־רחם ליהוה וכל־פטר שׁגר בהמה אשׁר יהיה לך הזכרים ליהוה׃

 וכל־פטר חמר תפדה בשׂה ואם־לא תפדה וערפתו וכל בכור אדם בבניך תפדה׃

 והיה כי־ישׁאלך בנך מחר לאמר מה־זאת ואמרת אליו בחזק יד הוציאנו יהוה ממצרים מבית עבדים׃

  ויהי כי־הקשׁה פרעה לשׁלחנו ויהרג יהוה כל־בכור בארץ מצרים מבכר אדם ועד־בכור בהמה על־כן אני זבח ליהוה כל־פטר רחם הזכרים וכל־בכור בני אפדה׃

והיה לאות על־ידכה ולטוטפת בין עיניך כי בחזק יד הוציאנו יהוה ממצרים׃

Clique e leia:

Deuteronômio 6: 4-9

שׁמע ישׂראל יהוה אלהינו יהוה אחד׃

ואהבת את יהוה אלהיך בכל־לבבך ובכל־נפשׁך ובכל־מאדך׃

והיו הדברים האלה אשׁר אנכי מצוך היום על־לבבך׃

ושׁננתם לבניך ודברת בם בשׁבתך בביתך ובלכתך בדרך בשׁכבך ובקומך׃

וקשׁרתם לאות על־ידך והיו לטטפת בין עיניך׃

clique e leia:

Deuteronômio 11:13-21

  והיה אם־שׁמע תשׁמעו אל־מצותי אשׁר אנכי מצוה אתכם היום לאהבה את־יהוה אלהיכם ולעבדו בכל־לבבכם ובכל־נפשׁכם׃

  ונתתי מטר־ארצכם בעתו יורה ומלקושׁ ואספת דגנך ותירשׁך ויצהרך׃

 ונתתי עשׂב בשׂדך לבהמתך ואכלת ושׂבעת׃

  השׁמרו לכם פן יפתה לבבכם וסרתם ועבדתם אלהים אחרים והשׁתחויתם להם׃

 וחרה אף־יהוה בכם ועצר את־השׁמים ולא־יהיה מטר והאדמה לא תתן את־יבולה ואבדתם מהרה מעל הארץ הטבה אשׁר יהוה נתן לכם׃

 ושׂמתם את־דברי אלה על־לבבכם ועל־נפשׁכם וקשׁרתם אתם לאות על־ידכם והיו לטוטפת בין עיניכם׃

 ולמדתם אתם את־בניכם לדבר בם בשׁבתך בביתך ובלכתך בדרך ובשׁכבך ובקומך׃

  וכתבתם על־מזוזות ביתך ובשׁעריך׃

 למען ירבו ימיכם וימי בניכם על האדמה אשׁר נשׁבע יהוה לאבתיכם לתת להם כימי השׁמים על־הארץ׃

Tefelin

Fonte: Café Torah; e-Sword, Tradição Judaica.

A IMPORTÂNCIA DO HEBRAICO BÍBLICO – Por Luiz Sayão

Detail of old testament in hebrew languageQuase todos sabem que a Palavra de Deus surgiu no contexto histórico do povo judeu. A verdade é que cerca de três quartos da Bíblia Sagrada foi escrita originariamente em hebraico. E apesar de quase todo restante ter sido escrito em grego, o raciocínio subjacente à maioria dos documentos do Novo Testamento é claramente hebraico. Portanto, se há uma língua importante para os estudos bíblicos mais profundos, sem dúvida alguma, trata-se do hebraico.
Diante disso, temos de reconhecer que existe motivo de sobra para que o cristão de hoje procure conhecer o hebraico bíblico. Vamos relacionar as razões mais importantes:


1. Conhecer o hebraico é lidar com o sagrado. Esse conhecimento permite-nos falar as mesmas palavras e frases que os antigos profetas e homens de Deus falaram. A língua possui uma sonoridade bonita, exótica e diferente. Sinta o som do primeiro versículo bíblico: Bereshit bará elohim et hashamaim veet haarets. O hebraico é a língua antiga mais preservada que existe. Se Isaías ressuscitasse hoje teria condições de comunicar-se e de pedir um almoço em um restaurante de Jerusalém.

2. Conhecer o hebraico é uma emocionante viagem ao desconhecido. As letras são bastante diferentes e parecem pequenas obras de arte, as consoantes são mais importantes do que as vogais, a língua é escrita da direita para a esquerda (sentido oposto ao do português) e as palavras são totalmente diferentes das que conhecemos. Todavia, por incrível que pareça há termos parecidos: a conjunção ou em hebraico é `o (ô).

3. Conhecer o hebraico significa conhecer uma cultura muito diferente. As línguas humanas não possuem apenas palavras diferentes para as mesmas coisas. Elas são uma expressão da cultura e do modo de ser de um povo. No hebraico não existe gênero neutro como é o caso do inglês. Tudo é dividido entre masculino e feminino; existe, por exemplo, o pronome você (masculino) e você (feminino). Idéias abstratas são muito raras. A expressão bíblica “fazer uma aliança”, por exemplo, é literalmente “cortar uma aliança” em hebraico. É por isso que é impossível fazer uma tradução totalmente literal da Bíblia.

4. Conhecer o hebraico é aprender a pensar de modo diferente. O hebraico também é muito diferente do português e do inglês por possuir um jeito e uma ordem de frase distintos. A gramática é peculiar. Uma característica interessante da língua é o seu aspecto conciso. A antiga língua dos hebreus usava poucas palavras para dizer muito. Os verbos de ligação são dispensados, os pronomes pessoais estão embutidos na maioria das formas verbais e algumas preposições e sufixos de posse aparecem anexadas aos substantivos. Outra questão que merece atenção é o verbo do hebraico. Estamos muito acostumados com a idéia de tempo verbal em português. Para muitos é surpreendente descobrir que o que caracteriza o verbo no hebraico não é principalmente o tempo do verbo, mas sim o modo da ação. O que mais importa é se a ação é acabada ou não. Em muitas passagens bíblicas somente o contexto determinará se o verbo deve ser traduzido no futuro, no presente ou no passado.

5. Conhecer o hebraico significa entender corretamente as palavras teológicas da Bíblia. Esse conhecimento é muito importante para que não sejam ensinados conceitos errados nas igrejas evangélicas. Os vocábulos hebraicos muitas vezes não possuem correspondentes adequados em português. O campo semântico das palavras é muito particular e até mesmo estranho para nós. É por essa razão que uma tradução totalmente literal da Bíblia não teria sentido em português. Uma das palavras muito importantes do Antigo Testamento, por exemplo, é o termo Sheol, traduzido por Hades no grego do Novo Testamento. A tradução uniforme do termo não é adequada. Sheol refere-se de fato ao “mundo dos mortos”, e, em muitos contextos, refere-se concretamente à sepultura, em outros textos a idéia é profundezas; há contextos poéticos onde o sentido é morte; mas em muitos textos a idéia é mundo dos mortos (no NT Hades pode significar inferno em certos textos). Quem poderia imaginar, sem o devido estudo, que a palavra Shalom, tão conhecida, significa muito mais do que paz. Shalom quer dizer também prosperidade, vida plena, segurança. Em português essas associações não são claras. Quando um judeu cumprimenta o outro, ele pergunta: “Como vai a tua paz?” Paz, portanto, não é um termo simplesmente psicológico e emotivo, mas sim um termo concreto em relação à vida.

Diante de tais fatos, não há dúvida de que a igreja evangélica de hoje deve dar a devida atenção ao estudo do hebraico. Especialmente em nossos dias quando muitos conceitos equivocados são disseminados por quem conhece pouco do assunto, é mais do que necessário ampliar o conhecimento do povo de Deus no campo das línguas originais da Bíblia.

Estude e conheça o hebraico bíblico.

Luiz Sayão