Israel, nação sacerdotal – Conclusão

ROMPENDO A BARREIRA DE SEPARAÇÃO

GENTIOS E JUDEUSIsrael

Gentios – do grego ethnê – é equivalente ao hebraico goyim.

É chamado judeu o descendente da tribo de Judá e de outras tribos. Ou seja, o judeu é judeu por consanguinidade.

E aquele que não é judeu, é gentio. E continua gentio depois que abraça a fé no Senhor Jesus.

“ Portanto, lembrai-vos de que, outrora, vós, gentios na carne, chamados incircuncisão por aqueles que se intitulam circuncisos, na carne, por mãos humanas, naquele tempo, estáveis sem Cristo, separados da comunidade de Israel e estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança e sem Deus no mundo”  Efésios 2:11 e 12

 Paulo estava falando para os gentios;

“gentios na carne” – se é gentio por nascimento, portanto isso não muda quando o gentio passa a crer no evangelho.

“chamados incircuncisão por aqueles que se intitulam circuncisos, na carne” – a distinção feita popularmente como uma justificativa para continuar menosprezando os gentios incircuncisos, apesar de que um crente piedoso deva se abster de qualquer vanglória.

“outrora”, “naquele tempo” – mostra que os gentios eram deficientes em alguns sentidos.

“estáveis sem Cristo” – Não tinham o Messias. Lembrando que o conceito de Cristo é judaico (Ungido) e que Cristo não é nome, é título.

“separados da comunidade de Israel” – Eram estrangeiros, excluídos, alienados, da vida nacional de Israel. A palavra grega traduzida por “vida nacional” “comunidade” é “politeia” que nos dá palavras em português como “política” e “político”.

“estranhos às alianças da promessa” – Eram estrangeiros às alianças que incorporavam a promessa. Isto inclui a aliança com Abraão, Moisés e a Nova Aliança. A Nova Aliança foi dada a Israel em Jesus. Os gentios eram estranhos a ela a não ser pela fé, o que os tornou participantes por completo.

“não tendo esperança e sem Deus no mundo” – a diferença entre judeus e gentios antes da vinda de Jesus não era apenas devido ao fato de um ser circuncidado e o outro não e sim que Deus lidava com eles de forma diferente.

 “Mas agora em Cristo Jesus, vós que antes estáveis longe, fostes aproximados pelo sangue de Cristo. Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos fez um; e, tendo derribado a parede de separação que estava no meio, a inimizade, aboliu na sua carne, a lei dos mandamentos na forma de ordenanças, para que dos dois criasse, em si mesmo, um novo homem, fazendo a paz” Efésios 2:13 a 15

 “vós que antes estáveis longe, fostes aproximados pelo sangue de Cristo” – Paulo afirma novamente a condição anterior dos gentios. A aproximação aconteceu por meio da morte sacrificial e sangrenta de Jesus, expiatória para todos, tanto gentios quanto judeus.

“ele é a nossa paz” – Jesus não somente faz a paz entre judeus e gentios como ele próprio é esta paz. “o qual de ambos fez um” – Ele habitando nos judeus e gentios que creem é o que de nós fez um só, pois a nossa unidade é o único Messias habitando em ambos.

“e, tendo derribado a parede de separação que estava no meio” – m’chitzah – hebraico – significa literalmente “o que divide algo no meio”. A figura utilizada por Paulo é do Templo. Em volta do Templo havia uma inscrição que proibia qualquer estrangeiro de entrar. Esta era a “parede de separação” entre judeus e gentios (também havia um pátio só para mulheres).

Assim, o Messias removeu a barreira que impedia os gentios de se misturarem com o Povo de Deus e serem contados como parte dele. Esse é o ponto levantado por Paulo.

Os gentios podem se unir ao povo judeu e serem um com eles enquanto povo de Deus, mediante a fé no Messias judaico, Yeshua.

Mas acontece o contrário: quando os judeus creem em seu próprio Messias, eles não tem mais o direito de manter sua identidade judaica mas precisam se amoldar aos padrões gentílicos.

Jesus é JUDEU, não gentio.

“tendo derribado a parede de separação que estava no meio, a inimizade, aboliu na sua carne, a lei dos mandamentos na forma de ordenanças”

Quatro componentes da inimizade entre judeus e gentios:

1 – A inveja dos gentios do status de Israel;

2 – O orgulho dos judeus por serem escolhidos;

3 – O ressentimento dos gentios por causa deste orgulho;

4 – A aversão mútua quanto aos costumes dos dois grupos.

Não vim para revogar, vim para completar –   Jesus disse:

 “Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim para revogar, vim para cumprir”

(Mt 5.17 – ARA).

Palavras chaves – “revogar” e “cumprir“

“Revogar“ – grego – verbo grego katalisai [katalusai] = anular, abolir, destruir, desfazer, revogar, etc.

A edição bíblica de Almeida Revista e Corrigida traduz primeiramente a palavra como “destruir” que é mais clara.

JESUS DISSE CLARAMENTE, QUE ELE NÃO VEIO PARA DESTRUIR, ABOLIR, ANULAR OU DERRUBAR A TORÁ (LEI).

Mas Jesus veio fazer mais, ele veio também para “cumprir”.

Este verbo grego que no original é plerosai = completar, acrescentar, aperfeiçoar, “plenificar”, etc.

Jesus em nenhum momento foi contra a Torá, muito pelo contrário ele veio apresentar o sentido pleno da Torá, veio completar seu significado, ele veio “plenificar” seu objetivo.

Como diz o Talmud (a tradição oral dos judeus): “Não vim para tirar a Toráh de Moisés, mas pelo contrário, vim para acrescentar” (Tratado Shabat 116b).

“Ordenanças” – grego = “dogmas” [dogmaV] = interpretação, dogma, doutrina de homens, etc.

Esta expressão grega aparece no Novo Testamento sempre associado com “ordenanças de homens” nunca com ordenanças dadas por Deus.

A palavra grega para ordenanças de Deus no Novo Testamento é dikaioma [dikaiwma] e não dogma.

Esta é a diferença básica.

Concluímos com isto que, o que Jesus aboliu foram:

“AS ORDENANÇAS DO HOMEM, OU AS INTERPRETAÇÕES DOS HOMENS SOBRE A TORÁ QUE É FORMADA POR MANDAMENTOS”.

“para que dos dois criasse, em si mesmo, um novo homem, fazendo a paz,”

A destruição da parede de separação fez de nós um, mas também nos deu a responsabilidade de um estilo de vida compatível ao requerido por Deus de todo o seu povo. Desta forma, podemos agir em obediência da forma que o Senhor nos ensinou procurando viver o estilo de vida na Igreja (Judeus e gentios crentes em Jesus) que espera a volta Dele.

Shalom!

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Israel, nação sacerdotal – Parte V

Entendendo o Conflito em Gaza

Inimigos naturais de Israel :

1) Ismael: Gn. 16:11-12 : “Disse-lhe também o anjo do SENHOR: Eis que concebeste, e darás à luz um filho, e chamarás o seu nome Ismael; porquanto o SENHOR ouviu a tua aflição. E ele será homem feroz, e a sua mão será contra todos, e a mão de todos contra ele; e habitará diante da face de todos os seus irmãos.”

De Ismael foram formadas as nações árabes .

2) Os Filisteus .

Povo numeroso que dominava sobre Israel no tempo dos Juízes ( Jz.14:4 )

Tinham por costume torturar terrivelmente os povos dominados . Ex: arrancaram os olhos de Sansão .

Tomaram de Israel 5 cidades : Gaza, Ashkelon, Ashdod , Ekron , Gate.

Tomaram a Arca de Deus . I Samuel 5

Não era um povo natural de Canaã, porém advindo do Egito . Gn. 10: 13-14

Eram notavelmente hábeis e conhecidos  nas artes Navais .

Região onde habitavam os Filisteus: Gaza

A região onde habitavam os filisteus: (Filistia)

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Julgamento de Deus para a região e para o povo filisteu :

Sofonias 2:5

Ai dos habitantes da costa do mar, a nação dos quereteus! A palavra do SENHOR será contra vós, ó Canaã, terra dos filisteus; e eu vos destruirei, até que não haja morador.

Ezequiel 25:15-16:

 “Assim diz o Senhor DEUS: Porquanto os filisteus se houveram vingativamente, e executaram vingança com desprezo de coração, para destruírem com perpétua inimizade, portanto assim diz o Senhor DEUS: Eis que eu estendo a minha mão sobre os filisteus, e arrancarei os quereteus, e destruirei o restante da costa do mar”.

O rei Nabucodonozor levou cativo também os Filisteus e nunca mais na história  se ouviu falar deles.

A palavra “Filistin ”  ( Filisteus) é muito parecida com a palavra “Palestina”,  por quê?

Filístia em Hebraico é “Filistin”, que é Palestina no Português.

Observem os mapas de Israel nas suas bíblias. Que nome vocês observam no mapa de Israel?

O nome “Palestina” foi um nome que os romanos deram a Israel após o ano 70d.C.  (quando o povo Filisteu já tinha desaparecido)

Após esta data, Israel foi invadida por vários impérios, e durante quase 2000 anos foi conhecido como Palestina, apesar de vários povos  diferentes o terem dominado.

Finalmente a “Palestina” passa a ser controlada pela Inglaterra, e seus últimos habitantes eram de maioria árabe  (Ismaelitas ) denominados “Palestinos”.

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 Em 1948, cria-se o Estado de Israel em seu território historicamente conhecido: em Israel.

A Faixa de Gaza (até então improdutiva)  foi anexada ao território israelense em 1967, junto com Jerusalém, se tornando em uma região altamente importante economicamente para Israel devido ao incansável esforço judaico.

O quê fazer com os moradores árabes que habitavam a Palestina? Observação importante: Palestina nunca existiu como Nação reconhecida pela ONU. Não tem um território, não tem uma moeda, não tem uma língua própria, não tem um Presidente e sim uma “Autoridade Palestina”.

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Israel foi subdividido várias vezes para acomodar o povo árabe que permaneceu em seu território, e um dos locais para este assentamento foi o lugar onde originariamente foi dominada pelos Filisteus : Gaza, que foi entregue aos árabes ‘palestinos’ em 2005.

O Governo de Gaza não se contenta apenas com este território, ele almeja varrer Israel do mapa e dominar Jerusalém, para fazer dela a habitação de  “Alah”, demonstrando que a guerra é espiritual e não física, pois Jerusalém é a habitação do Deus de Israel.(Joel 13:7)

Gaza foi entregue à população palestina a fim de viabilizar um território Palestino de fato.

Gaza foi entregue com toda a infra estrutura necessária para se tornar um País independente.

Fatah – Governo da Autoridade Palestina.

Hamas – Fundamentalistas islâmicos. Grupo Terrorista que matou os líderes do Fatah em Gaza e atualmente foi eleito como Governo oficial de Gaza.

Necessidade dos muros que circundam Gaza, e do bloqueio egípcio e israelense: impedir ataques terroristas dentro de seus territórios.

Gaza: contribuindo para um propósito escatológico.

De “Israel” para “Palestina”:

Tentativa do inimigo de frustrar e anular a identidade de Israel, colocando em seu território  o nome de um dos inimigos mais mortais de Israel, a fim de impedir a memória bíblica e escatológica de Israel como nação fundamental para os últimos dias que antecedem a vinda do Messias .

Gaza: um território que já está ajudando a influenciar a opinião mundial contra Israel, contribuindo fundamentalmente para a montagem do cenário mundial para o anti Cristo e o ajuntamento das nações contra Israel.

Posição de Gaza escatologicamente:

A maioria das nações árabes estão contra Israel e aproveitando a situação em Gaza para agitar o mundo não árabe também contra Israel. (com a ajuda da mídia)

Segundo Joel 3:9,21  ; Zacarias 14:1-4 e Ap. 16:13-16 ; 19:11-21 : O anticristo chefiará as nações do mundo, avançará para exterminar Israel e lutar contra Deus.

Zc.12:3

 “E acontecerá naquele dia que farei de Jerusalém uma pedra pesada para todos os povos; todos os que a carregarem certamente serão despedaçados; e ajuntar-se-ão contra ela todo o povo da terra.

Zc.14:2

“ Porque eu ajuntarei todas as nações para a peleja contra Jerusalém”

Israel clama por oração.

Pedido de um Jornal Israelense:

“Se existir um tempo para oração, este é agora”

A promessa do Senhor:

Joel 3:17

   “E vós sabereis que eu sou o SENHOR vosso Deus, que habito em Sião, o meu santo monte; e Jerusalém será santa; estranhos não passarão mais por ela.”

Zc12:10 :

“Mas sobre a casa de Davi, e sobre os habitantes de Jerusalém, derramarei o Espírito de graça e de súplicas; e olharão para mim, a quem traspassaram; e pranteá-lo-ão sobre ele, como quem pranteia pelo filho unigênito; e chorarão amargamente por ele, como se chora amargamente pelo primogênito. Naquele dia será grande o pranto em Jerusalém, como o pranto de Hadade-Rimom no vale de Megido.”

Continuaremos…

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ISRAEL, NAÇÃO SACERDOTAL – PARTE IV

Igreja e Israel – Formação do Israel Espiritual

IsraelA primeira vez em que a Bíblia menciona um “Israel Espiritual” está em Gn 35:10 e 11:

E disse-lhe Deus: O teu nome é Jacó; não se chamará mais o teu nome Jacó, mas Israel será o teu nome. E chamou o seu nome Israel. Disse-lhe mais Deus: Eu sou o Deus, Todo-Poderoso; frutifica e multiplica-te; uma nação e multidão de nações sairão de ti…

 Gên 35:10  ויאמר־לו אלהים שׁמך יעקב לא־יקרא שׁמך עוד יעקב כי אם־ישׂראל יהיה שׁמך ויקרא את־שׁמו ישׂראל׃

  Gên 35:11   ויאמר לו אלהים אני אל שׁדי פרה ורבה גוי וקהל גוים יהיה ממך ומלכים מחלציך יצאו׃

Observe:

De Jacó (Israel) sairia uma nação = Israel

E também uma multidão de nações = Igreja Gentílica

Multidão de Nações = Kahal Goyim וקהל גוים

(Kahal = Congregação, Assembléia / Goyim = Gentios, Estrangeiros)

Repare:

Deus separou Israel em relação à Igreja Gentílica quando disse “e”… deixando claro que cada um tem a sua própria identidade.

Deus só deu a promessa de uma igreja gentílica a Jacó após ter mudado seu nome.

Para compreendermos o que é o “Israel de Deus” também precisamos entender o que significa “Israel”:

Então disse: Não se chamará mais o teu nome Jacó, mas Israel: pois como príncipe lutaste com Deus e com os homens e prevaleceste. Gn 32:28

Israel Significa:

  • Príncipe com Deus
  • Ele luta com Deus
  • O que luta com Deus
  • Que Deus persevere

Nem todos os filhos, segundo a descendência de Abraão, são “Israel de Deus”

O que a Bíblia nos diz de “ser um israelita”:

Rm 9:6-8

Não que a palavra de Deus haja faltado, porque nem todos os que são de Israel são israelitas; nem por serem descendência de Abraão são todos filhos; mas: Em Isaque será chamada a tua descendência.

Isto é: não são os filhos da carne que são filhos de Deus, mas os filhos da promessa são contados como descendência.

Texto bíblico

Rm 9:10, 12-13

E não somente esta, mas também Rebeca, quando concebeu de um, de Isaque, nosso pai… Foi-lhe dito a ela: O maior servirá o menor. Como está escrito: Amei Jacó, e aborreci Esaú.

O Israel Espiritual

O Israel Espiritual:

Gl 6:15-16

Porque, em Cristo Jesus, nem a circuncisão nem a incircuncisão têm virtude alguma, mas, sim, o ser uma nova criatura. E, a todos quantos andarem conforme esta regra, paz e misericórdia sobre eles, e sobre o Israel de Deus.

O “Israel de Deus” mencionado por Paulo se tornou uma das expressões mais incompreendidas do Novo Testamento.

Israel de Deus

Ela é usada erroneamente nos dois extremos:

1) Aqueles que defendem a Teologia da Substituição dizem que a Igreja é o Novo Israel que substituiu os judeus. Portanto Israel deixou de ser o povo de Deus.

2) Alguns judeus afirmam que a expressão de Paulo está falando exclusivamente dos judeus e que “Israel” jamais poderia significar os gentios.

Nova Criatura

Ora, havia na Galácia os Judeus Messiânicos e os Gentios Messiânicos. Esta era a Igreja dos Gálatas, isto é, tanto judeus quanto gentios aliançados com Jesus e este era o povo que recebeu a epístola de Paulo.

Paulo está dizendo aos moradores da Galácia:

“a todos que vivem conforme a regra, isto é, o SER NOVA CRIATURA”.

Este é o Israel Espiritual. A união dos judeus que se tornaram NOVA CRIATURA através da graça do Senhor Jesus Cristo junto aos gentios que “endossaram” o sacrifício de Jesus.

O exemplo da Oliveira

Rm 11:17-23

E, se alguns dos ramos foram quebrados, e tu, sendo zambujeiro,foste enxertado em lugar deles, e feito participante da raiz e da seiva da oliveira, não te glories contra os ramos; e, se contra eles te gloriares, não és tu que sustentas a raiz, mas a raiz a ti. Dirás, pois: Os ramos foram quebrados, para que eu fosse enxertado. Está bem; pela sua incredulidade foram quebrados, e tu estás em pé pela fé; então não te ensoberbeças, mas teme. Porque, se Deus não poupou os ramos naturais, teme que te não poupe a ti, também. Considera, pois, a bondade e a severidade de Deus: para com os que caíram, severidade; mas, para contigo, a benignidade de Deus, se permaneceres na sua benignidade; de outra maneira, também tu serás cortado. E também eles, se não permanecerem na incredulidade, serão enxertados; porque poderoso é Deus para os tornar a enxertar.

A figura da Oliveira e do Zambujeiro nos dá a idéia deste Israel Espiritual:

  • Alguns ramos (judeus) foram cortados, mas não todos.
  • Os gentios foram enxertados em Israel e passaram a ser “um” com eles.
  • Em todo enxerto a árvore original é ferida.
  • Todo ramo enxertado perde as suas características originais.
  • Enquanto o ramo enxertado permanecer na árvore receberá de sua seiva e produzirá os mesmos frutos da árvore original

Deus tem uma Oliveira que é cultivada por Ele.

Esta é o Seu “Israel Espiritual”. Ela foi formada por Deus e herdará todas as Suas promessas.

Continua…

Israel, Nação Sacerdotal – Parte III

Antes de iniciar a leitura deste post, leia Parte I e Parte II.

Israel Salmo 139.13-14, o rei Davi expressa as seguintes palavras para o Senhor: “Pois possuíste os meus rins; cobriste-me no ventre de minha mãe. Eu te louvarei, porque de um modo assombroso, e tão maravilhoso fui feito; maravilhosas são as Tuas obras, e a minha alma o sabe muito bem”.

Davi reconhece que Deus nos criou de forma esplendorosa, uma grande obra, uma criação competente. Por isso há um propósito e um destino para cada um de nós. Mas o Senhor ainda nos capacita com todos os dons para cumprir esse propósito. Ninguém pode nos tirar os dons dados por Deus.

No verso 16 Davi diz que “no Teu livro foram escritos todos os meus dias, quando nem um deles havia ainda”. Deus nos lembra que Ele já nos deu os primeiros frutos, a salvação na Páscoa.

A seguir vem a ordem de contar o ômer, marcar cada broto.

O broto a nível pessoal representa o dom que Deus lhe deu e ainda não se desenvolveu. Todos os dons que recebemos de Deus são como pequenos brotos; precisamos cuidar de cada um deles até alcançarem a maturidade.

Precisamos remover o mato que cresce em volta, e nada atrapalha mais o desenvolvimento dos dons que Deus nos deu do que um caráter mau ou uma atitude ruim.

O Senhor nos dá 50 dias a cada ano para reflexão e assim podemos arrancar o mato do nosso caráter, desenvolvendo a integridade nos mínimos detalhes.

Se fizermos isso todo ano, passaremos bem o resto do ano e faremos uma grande colheita.

 Cuidar dos brotos é apenas o primeiro passo, mas depois de 50 dias deve-se reunir os dons, juntamente com os esforços dispensados a eles, e dedicar ao Senhor.

Deus é Senhor das colheitas, você é o senhor das primícias dos primeiros frutos. O que você fizer com a primícia dos primeiros frutos determinará o que Deus fará com a colheita em sua vida.

Dt 16.16, “Três vezes ao ano todo homem entre ti aparecerá perante o Senhor teu Deus, no lugar que escolher, na festa dos pães ázimos, e na festa das semanas, e na festa dos tabernáculos; porém ninguém aparecerá vazio diante perante o Senhor”.

O que podemos dar a Deus que Ele queira?

 Gratidão

Gratidão pela salvação, coração grato e ações de graça são as primeiras ofertas de sacrifício.

Quando entregamos os primeiros frutos, dons e talentos tem início a colheita, Zc 4.6 “Não por força, nem por violência, mas sim pelo meu Espírito”.

Quando chega a festa de Tabernáculos, celebraremos a colheita.

Caminhe em salvação, gratidão e invista seus esforços nos primeiros frutos e os dedique ao Senhor, assim haverá grande colheita.

O Pai deseja as primícias dos primeiros frutos em sinal de obediência. Isto agrada o nosso Pai.

 A ideia do Senhor era entregar a Sua lei a cada israelita e que cada um deles se tornassem um sacerdote com o propósito de alcançar outros indivíduos de outras nações.

Essa proposta é comprovada em Dt 12.11-12.

Todo israelita deveria comparecer perante o Senhor no lugar que Ele escolhesse dentre todas as tribos, para ali levar os seus sacrifícios, dízimos, votos e ofertas. Os dízimos eram entregues aos sacerdotes e levitas.

Mas aqui o Senhor fala em levar os dízimos e degolar e comer diante d’Ele.

O fato aqui descrito mostrava a disposição de Deus em demonstrar a cada israelita, que se o mesmo tinha o direito de comer do dízimo, ou segundo dízimo, teria também os privilégios do sacerdote.

Todo privilégio ou direito pressupõe responsabilidades e deveres. Se todo israelita experimentava os privilégios e a sua posição de sacerdote, deveria cumprir também as suas responsabilidades, fazendo o seu papel de sacerdote para as outras nações.

Com esse sistema em que cada israelita deveria se alegrar perante o Senhor, comendo do fruto da terra, eles seriam vistos pelas outras nações como sacerdotes, cumprindo assim suas funções de instruí-los a buscar e servir ao Deus de Israel.

Existe nesse texto de Deuteronômio o relato das responsabilidades de cada israelita como sacerdote, e que são aplicáveis a nós como cristãos (IPe 2.9):

  1. Sempre separar no terceiro ano, o dízimo do pobre.
  2. Perdoar as dívidas no sétimo ano (ano sabático).
  3. Devolver terras no ano do Jubileu.
  4. Práticas de justiça (Tsadaqa).

A igreja entendida como cada cristão individualmente deve agir como nação sacerdotal do Reino de Deus, manifestando através de atitudes compatíveis com a Palavra de Deus os valores eternos do Reino, com a prática da justiça.

Continua…

ISRAEL, NAÇÃO SACERDOTAL – PARTE II

Êxodo 19.5, “agora se ouvirdes a minha voz e obedecerdes à minha aliança, sereis como meu tesouro pessoal dentre todas as nações, ainda que toda a terra seja minha propriedade.”

Parte IIO povo de Israel seria uma propriedade peculiar, um tesouro precioso, que seria cuidado com todo o zelo pelo Senhor. Uma nação escolhida entre todas as outras nações. Interessante notar que não há qualquer desprezo pelas outras nações, pois o próprio Senhor declara que toda a terra é d’Ele. Isso incluía as outras nações dentro do objetivo do Senhor que seria alcançá-las por intermédio da nação sacerdotal de Israel.

Não que todos os israelitas fossem sacerdotes dentro de Israel. A ideia é que cada israelita, por haver recebido a Lei de Moisés, seria um sacerdote para as outras nações, como instrumento de instrução espiritual. No que tocava a outras nações, todos os israelitas eram sacerdotes.

Todo o povo de Israel tinha um tipo de sacerdócio, pois era o administrador da Torah.

Nação santa mediante uma revelação divina, pois o povo de Israel estava sendo capacitado a se tornar santo como o Senhor, tendo como base ser possuidora do supremo código moral que revelava a vontade de Deus.

O primeiro passo para ser uma nação sacerdotal era a escolha, ninguém se faz sacerdote se não por uma escolha do Senhor. Israel foi escolhido para isso.

A nação sacerdotal teria alguns requisitos a cumprir para executar de forma adequada a sua função:

1) ouvir a voz do Senhor,

2) obedecer a aliança, que estava prestes a ser dada à nação por intermédio de Moisés, a Torah.

3) servir ao Senhor e prestar culto exclusivamente a Ele.

A chamada ao sacerdócio para toda a nação é reforçada na entrega das tábuas da aliança, quando o Senhor emite a Sua voz direcionada a cada membro dessa nação individualmente. O verbo em hebraico está na segunda pessoa do singular, “Não terás, não matarás.”

Como então, cumprir o chamado de Deus e por onde começar?

Tudo o que Deus planejou para acontecer, acontecerá. Ele sempre quer trabalhar em conjunto conosco, como co-herdeiros de Seu Reino.

No plano específico de Deus e no propósito para a vida de seus servos, há algumas coisas que precisam ser feitas primeiro para que os servos possam cumprir a sua parte no plano d’Ele.

A ordem correta de Deus deve ser seguida para que os propósitos de Deus se cumpram na nação, na cidade, na família ou na vida pessoal, logo, é preciso entender a ordem correta de Deus.

  • Durante o ano bíblico, há apenas uma estação singular chamada “Contagem do Ômer”. Êx 23.19 e Dt 16.9
  • Ela ocorre entre a Festa da Páscoa e a de Shavuot.
  • O Senhor ordenou aos filhos de Israel que contassem o ômer por 50 dias, começando no dia seguinte ao da Páscoa.
  • Um ômer é um feixe. Contar um ômer é um princípio muito importante e um mandamento no calendário bíblico. Contar o ômer requer cinquenta dias de obediência.
  • Para que a obediência seja realizada é necessário que isso seja registrado. O Senhor nos lembra todos os anos que temos algo a fazer por cinquenta dias.

 A Páscoa simboliza a libertação do Egito. Tornar-se livre é o início de tudo. Até sermos livres, não podemos cumprir nosso destino. Por isso todos os anos o Senhor nos lembra, através da Sua Palavra, deste dia importante, quando devemos começar a contar, e fazê-lo por cinquenta dias.

Ao final deste período, celebramos Shavuot, é nesse momento que começamos a nos preparar para a colheita, trazendo os primeiros frutos e dedicando-os ao Senhor.

Segundo a tradição, os agricultores saíam pelos campos no primeiro dia depois da Páscoa e marcavam os primeiros brotos- os primeiros frutos do campo.

Durante 50 dias além de contar, eles aguavam, arrancavam o mato e cuidavam para que os brotos crescessem e se transformassem em frutos.

Aos 50 dias eles recolhiam os brotos marcados e levavam ao Templo do Senhor na Festa de Shavuot. Isso, sendo feito, em sinal de obediência ao Senhor, geraria uma benção, com colheitas abundantes.

A diferença de dízimo(10 por cento) para ômer (100 por cento) é que neste o Senhor pede tudo, as primícias dos primeiros frutos. Entregando a Ele, investimos nossos esforços naquilo que Deus havia nos dado previamente. Temos que salvaguardar Suas dádivas, garantindo que elas produzam frutos que dedicaremos a Ele, levando-os à Sua presença.

Deus os multiplicará até que se transformassem em colheita.

Continua…

Instituto Abba

Israel, nação sacerdotal – Parte I

IsraelO texto de Êxodo 19.6

“vós sereis para mim um reino de sacerdotes e uma nação santa. Estas são as palavras que dirás aos filhos de Israel.”

מַמְלֶכֶת כֹּהֲנִים וְגוֹי קָדוֹשׁ

A escolha do Senhor é um chamado para que o propósito d’Ele fosse cumprido. Deus queria mostrar às outras nações, através do Seu relacionamento com Israel, que a melhor decisão seria se aproximar do Deus de Israel, o Senhor que se relaciona pessoalmente com cada indivíduo e com toda a nação, demonstrando sempre o Seu constante cuidado, zelo e amor.

O Senhor teve o desejo de se relacionar com o Seu povo, e através desse relacionamento alcançar as outras nações. Esse desejo é visto claramente em Gn 12.1-3, quando do chamado de Abraão.

וְאֶעֶשְׂךָ לְגוֹי גָּדוֹל

O Senhor chama a Abraão e promete fazer dele uma grande nação ou um grande povo.

וְנִבְרְכוּ בְךָ כֹּל מִשְׁפְּחֹת הָאֲדָמָה

O Senhor escolhe um homem para através dele abençoar todas as famílias da terra.

As palavras ditas ao patriarca da nação de Israel demonstram o que Deus faria por Abraão e a nação que seria formada a partir dele.

Deus dá a Abraão uma família e uma promessa de descendência para que o propósito do Senhor permanecesse firme através dessa família. Gn 13.14-16.

כִּי אֶת־כָּל־הָאָרֶץ אֲשֶׁר־אַתָּה רֹאֶה

O Senhor trabalha com aquilo que vemos e compreendemos, revelação progressiva ou gradativa.

לְךָ אֶתְּנֶנָּה וּלְזַרְעֲךָ עַד־עוֹלָם

Olam, propósito eterno.

O propósito era formar uma grande nação, que seria abençoada e cuidada pelo Senhor e que seria uma bênção para as demais nações.

A promessa de que todas as nações seriam abençoadas por intermédio de Abraão, começa a delinear o propósito de se criar uma nação sacerdotal. Gn 13.16.

וְשַׂמְתִּי אֶת־זַרְעֲךָ כַּ‍עֲפַר הָאָרֶץ

Afar no hebraico é poeira solta da terra, algo como cinza que se espalha pelo vento. A semente de Abraão estaria espalhada pela terra e não apenas restrita a Israel. Essa ideia é interessante, pois quando Abraão obedece e sai da sua terra, ele leva consigo criados adquiridos em Harã, que não fazem parte da semente eleita, mas que acompanham e se simpatizam com o Deus de Abraão.

Essa ideia está também presente na saída dos filhos de Israel da terra do Egito.

Êxodo 12.37-38 nos mostra que quando os filhos de Israel saem do Egito com todos os homens, mulheres e crianças; junto com o povo de Deus saem também uma mistura de gente, simpatizantes dos filhos de Israel e do seu Deus.

וְגַם־עֵרֶב רַב עָלָה אִתָּם וְצֹאן וּבָקָר מִקְנֶה כָּבֵד מְאֹד

Essas palavras demonstram que uma numerosa ou grande mistura de gente, que não pertencia aos filhos de Israel, saiu do Egito acompanhando os exércitos do Senhor. Isso apenas confirma a intenção do Senhor em se manifestar não somente a Israel, mas a todo aquele que quiser seguir os Seus caminhos.

A forma como as nações se relacionassem com Israel seria a medida exata daquilo que receberiam do Senhor. Os que amaldiçoassem, seriam amaldiçoados, e os que abençoassem seriam abençoados. Havia a figura de um intermediário entre o Senhor e as nações: Abraão. Aqui é instituída a ideia de nação sacerdotal.

Continua…

Instituto Abba