Israel, nação sacerdotal – Parte VI

A volta de Jesus e as bodas do Cordeiro

MATEUS 22.1-14

O rei que prepara o banquete, a grande festa com o objetivo principal de celebrar as bodas, ou o banquete nupcial para o seu filho. Tudo isso está diretamente relacionado aos preparativos para a volta de Cristo.

O Rei, o nosso Deus, envia Seus servos a conclamar e chamar os convidados para as bodas.

 ἀπέστειλεν τοὺς δούλους αὐτοῦ καλέσαι τοὺς κεκλημένους εἰς τοὺς γάμους

 No casamento judaico, no dia do casamento, a noiva fica aguardando o retorno do noivo. A noiva recebe os convidados. A igreja está hoje assentada nas regiões celestiais com Cristo Jesus como afirma o apóstolo Paulo na carta aos Efésios 2.6-7. Essa entronização nas regiões celestiais tem como objetivo fazer conhecida a suprema riqueza da sua graça, que nos foi dada por intermédio da sua bondade. A igreja tem a função e o objetivo principal de fazer com que o Nome do Senhor seja glorificado em todas as nações da terra, e isso é também alcançado através da proclamação do Evangelho: Cristo morreu pelos nossos pecados.

Ao utilizarmos o casamento judaico, como uma comparação com as bodas do Cordeiro, precisamos focar em alguns pontos importantes:

  1. A noiva é responsável por receber os convidados, igreja anunciando a boa nova.
  2. O compromisso de casamento, Is 54.5-7, mostra que a vergonha experimentada no passado será removida. כִּי־כְ‍אִשָּׁה עֲזוּבָה וַעֲצוּבַת
  3. O noivo usa uma vestimenta adequada para a sua cerimônia, o kittel, uma vestimenta simples por baixo de suas vestes nupciais. A humilhação diante de Deus e sua constante submissão a Ele é que manterão a união indissolúvel do casamento até que a morte os separe.
  4. O noivo e a noiva não se veêm durante o tempo de espera em que o noivo retorna para tomar a sua noiva. ICo 13.12, vemos como que por um espelho, mas então o veremos face a face.
  5. Sabemos que somos do Senhor, que lhe pertencemos, mas ainda não estamos fisicamente com Ele, mas isso se realizará no dia do casamento.
  6. No dia do casamento ocorre um ritual chamado bakeden, o noivo cobre o rosto da noiva com um véu. Gn 24.65

הַצָּעִיף  essa palavra trás um significado de cobrir completamente.

Isso transmite a idéia de que a atração física mesmo sendo importante, ainda mais importantes são a alma e o caráter. O colocar do véu sobre o rosto da noiva, simboliza o cuidado que será dispensado a futura esposa como o vestir e o proteger.

7. A nossa união com Cristo atrai a muitos e Jesus nos garantiu que na casa do Pai há muitas moradas e Ele prepararia lugar para cada um de nós.

8. O casamento  é chamado Kidushin, separação, consagração de um para o outro. A santificação da noiva para o Noivo. Vestes limpas e puras.

9. Ao final, ocorre a leitura da Ketubá, o contrato nupcial. Nele o noivo assume e aceita para si algumas responsabilidades matrimoniais que são detalhadas na Ketubá.

A sua obrigação principal é prover alimentos, abrigo e roupas para sua esposa, e ser atencioso com relação às suas necessidades emocionais. A proteção dos direitos de uma esposa judia é tão importante que o casamento só pode ser formalizada após a leitura completa do contrato.
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Queremos nos encontrar com o Senhor, consumar o relacionamento eterno que teremos com o Messias Jesus. Relacionamento esse que foi detalhado por Paulo em Efésios 5, Cristo e Igreja,  é semelhante ao relacionamento de um esposo com sua esposa.

Quando Jesus voltar, Ele estará vindo para uma noiva- e intencionalmente ela terá se preparado para Ele.

Esse processo de preparação gira em torno de íntima devoção, reverente afeição e sincera rendição a Yeshua.

A prova da nossa fé será constante com o objetivo de nos purificar para o Seu retorno.

Ansiamos por isso, em chamas o nosso desejo por Cristo será mantido até o encontro naquele glorioso Dia do Senhor.

Contratando Israel para o casamento:

Os profetas bíblicos retratam vividamente Israel como noiva ou esposa de Deus. “Eu fui um marido para eles” (Jer 31.32, Ez 16.8); “como noiva você me amava” (Jer. 2.2); “você me chamará de meu marido” (Os 2.16); pois o Seu Criador é o seu marido” (Is 54.5); “assim como o noivo se regozija por sua noiva, assim o seu Deus se regozija por você.

As palavras dos profetas são mais que poesia. Elas refletem uma poderosa transação que aconteceu no Espírito com os filhos de Israel, resultando em um tipo de casamento legal.

Para melhor compreender essa verdade bíblica, precisamos um pouco mais de informação do hebraico e a cultura judaica.

Os mais antigos costumes de casamento na bíblia envolviam um homem simplesmente “tomar” uma mulher como sua. Primeiro ele obtinha a permissão do pai ou tutor da mulher, então o noivo levava a jovem para sua tenda e consumava a união, como fez Isaque com Rebeca Gn 24.67).

Deus usa esta mesma palavra -tomar- quando liberta seu povo do Egito. Pode-se presumir que os hebreus compreenderam que Deus estava falando de casamento, quando em Êxodo 6.7 há um relato do Senhor falando ao Seu povo Israel: “Eu vos tomarei por meu povo e serei vosso Deus.”

Eles compreenderam também que, para serem tomados por Deus, o Senhor precisava ter o consentimento deles. Ele não podia forçá-los a isso; queria um relacionamento voluntário.

Noivado, ou o que hoje poderia ser chamado de compromisso, tornou-se a primeira fase de um casamento judeu formalizado.

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No noivado, o futuro marido apresenta uma proposta por escrito, que pode ser aceita ou rejeitada. Se fosse aceita, o preço da noiva seria pago nesse momento, e o casal estava legalmente ligado. De maneira semelhante o Senhor depois de haver falado em tomar Israel, ofereceu-lhe um tipo de contrato escrito de casamento por meio de Moisés no deserto do Sinai (Êx 19.5). Seus termos foram resumidos nos Dez Mandamentos e foi acentuado o caráter monogâmico no relacionamento (Êx 20.3).

Israel aceita a proposta: “Faremos tudo o que o Senhor ordenou”(Êx 19 7-8).

O preço final que Adonai pagou pela noiva foi incrível. Só a morte sacrificial e o sangue derramado por Seu Filho poderiam pagar por seu estimado noivado – de todas as nações (IPe 1, 17-19).

O Eterno Soberano teve um casamento arranjado com a humanidade no qual Ele previu sofrimentos e angústias que o Seu coração suportaria. Dt 31.16,21.

A aliança eterna de Deus prometida a Israel é a mais impressionante Nova Aliança que oferece salvação a todas as nações (Jr 31.31). Essa aliança pode ser descrita como uma aliança renovada, porque não abandona a essência da antiga.

O Novo Testamento confirma essa união, através da fala de João Batista: “Eu não sou o Cristo, mas sou aquele enviado adiante dele. A noiva pertence ao noivo”(Jo 3.28-29).

De acordo com o antigo costume hebraico, após um noivo deixar sua pretentida, ele começava zelosamente a preparar um lugar para ela (Jo 14.2-3).

A câmara nupcial era usualmente construída quase como uma extensão da casa de  seu pai. O jovem noivo não determinava o tempo de retornar  para a noiva que o aguardava; o pai dele é quem dava a aprovação final. Somente o pai sabia quando o filho viria para a sua noiva.

O noivo se apressava em preparar a nova casa, e quase sempre sem se anunciar voltava para reivindicar e levar a sua amada.

Enquanto aguardava o retorno do noivo, a noiva era chamada de Kiddushin, que literalmente significa santificada ou separada, se preparava para o dia do retorno do noivo. Como ela também não sabia o dia do retorno do noivo, vigiava diligentemente a sua chegada.

Ela passa o período de espera da separação dos dois preparando-se meticulosamente para o casamento. Em parte, o preço que havia sido pago, como dote pela noiva, incluía dinheiro e outros presentes,  e isso tudo era utilizado para esse propósito.

A kiddushin separada tinha apenas um objetivo: ficar pronta para o retorno do noivo.  Esse retorno poderia acontecer no meio da noite.

Por isso era um costume da noiva e suas damas terem próximo a suas camas lamparinas com azeite suficiente para a viagem.

Os casamentos eram eventos públicos alegres. Quando o noivo chegava, seus amigos íntimos que o acompanhavam, normalmente tocavam trombetas para anunciar a sua chegada. Os serventes da festa levantavam-se rapidamente, vestiam a kiddushin santificada e reuniam a família. Eles abriam passagem juntos na direção do grupo do noivo. Muitas vezes os dois grupos se encontravam antes que os homens chegassem à casa da moça.

A noiva e suas amigas partiam da sua casa em direção ao grupo do noivo e se uniam para formar um grande grupo que festivamente voltava a casa do pai e entravam na câmara nupcial. Ali era consumada a união eterna do casal. Havia uma festa que durava por sete dias sendo celebrada uma ceia matrimonial, as bodas do Cordeiro.

Os discípulos de Yeshua tinham conhecimento desses costumes. As palavras de despedida do Mestre foram carregadas de significado e conteúdo profético. Jesus pagaria o preço total por Sua noiva ao ser pendurado no madeiro. Então Ele partiria para preparar um lugar para ela.

Sem dúvida Ele voltaria, mas somente o Pai sabia quando. Enquanto isso, a noiva, Sua kiddushin separada, deveria se preparar e se manter vigilante. Para esse propósito, ela teria de usar os presentes que ele lhe deu. Na hora determinada, a união deles seria arrebatadora e irresistivelmente digna de espera.

Para melhor ilustrar o princípio nupcial, Jesus conta uma parábola das dez virgens; metade delas são sensatas ou prudentes e metade delas são insensatas ou tolas (Mt 25.1-13). As virgens são participantes das núpcias do Senhor.

O fato de cada uma possuir lâmpadas e alguma medida de azeite indica que todas elas portavam uma luz, pela qual servem ou ministram a outras pessoas.

Enquanto as virgens estavam dormindo,  um grito as desperta: “O noivo está chegando”.  Entretanto, somente metade delas tem azeite suficiente para o percurso até encontrá-lo.

Somente metade das virgens ou dos cristãos, tem o suficiente do Espírito de Deus para permanecer alerta até o fim. Quando se inicia a festa do casamento, só as virgens prudentes conseguem participar dela.

As outras virgens insensatas, precisam sair para conseguir mais azeite. Enquanto buscam com as outras virgens o suprimento para suas lâmpadas, é tarde demais. A porta da câmara nupcial foi fechada.

“Portanto vigiem”, insiste o Senhor Jesus, “porque vocês não sabem o dia nem a hora”. Mt 25.13.

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