O SISTEMA SACRIFICIAL E A OBRA DE CRISTO – Parte III

O Sacrifício da Páscoa

ÊxodoTexto Base: Êxodo 12

E falou o SENHOR a Moisés e a Arão na terra do Egito, dizendo: Este mesmo mês vos será o princípio dos meses; este vos será o primeiro dos meses do ano. Falai a toda a congregação de Israel, dizendo: Aos dez deste mês tome cada um para si um cordeiro, segundo as casas dos pais, um cordeiro para cada família. Mas se a família for pequena para um cordeiro, então tome um só com seu vizinho perto de sua casa, conforme o número das almas; cada um conforme ao seu comer, fareis a conta conforme ao cordeiro. O cordeiro, ou cabrito, será sem mácula, um macho de um ano, o qual tomareis das ovelhas ou das cabras. E o guardareis até ao décimo quarto dia deste mês, e todo o ajuntamento da congregação de Israel o sacrificará à tarde. tomarão do sangue, e pô-lo-ão em ambas as ombreiras, e na verga da porta, nas casas em que o comerem. E naquela noite comerão a carne assada no fogo, com pães ázimos; com ervas amargosas a comerão. Não comereis dele cru, nem cozido em água, senão assado no fogo, a sua cabeça com os seus pés e com a sua fressura. E nada dele deixareis até amanhã; mas o que dele ficar até amanhã, queimareis no fogo. Assim pois o comereis: Os vossos lombos cingidos, os vossos sapatos nos pés, e o vosso cajado na mão; e o comereis apressadamente; esta é a páscoa do SENHOR. E eu passarei pela terra do Egito esta noite, e ferirei todo o primogênito na terra do Egito, desde os homens até aos animais; e em todos os deuses do Egito farei juízos. Eu sou o SENHOR. E aquele sangue vos será por sinal nas casas em que estiverdes; vendo eu sangue, passarei por cima de vós, e não haverá entre vós praga de mortandade, quando eu ferir a terra do Egito. E este dia vos será por memória, e celebrá-lo-eis por festa ao SENHOR; nas vossas gerações o celebrareis por estatuto perpétuo. […]Chamou pois Moisés a todos os anciãos de Israel, e disse-lhes: Escolhei e tomai vós cordeiros para vossas famílias, e sacrificai a páscoa. Então tomai um molho de hissopo, e molhai-o no sangue que estiver na bacia, e passai-o na verga da porta, e em ambas as ombreiras, do sangue que estiver na bacia; porém nenhum de vós saia da porta da sua casa até à manhã. Porque o SENHOR passará para ferir aos egípcios,cordeiros para vossas famílias, e sacrificai a páscoa. Então tomai um molho de hissopo, e molhai-o no sangue que estiver na bacia, e passai-o na verga da porta, e em ambas as ombreiras, do sangue que estiver na bacia; porém nenhum de vós saia da porta da sua casa até à manhã. Porque o SENHOR passará para ferir aos egípcios, porém quando vir o sangue na verga da porta, e em ambas as ombreiras, o SENHOR passará aquela porta, e não deixará o destruidor entrar em vossas casas, para vos ferir. Portanto guardai isto por estatuto para vós, e para vossos filhos para sempre. E acontecerá que, quando entrardes na terra que o SENHOR vos dará, como tem dito, guardareis este culto. E acontecerá que, quando vossos filhos vos disserem: Que culto é este? Então direis: Este é o sacrifício da páscoa ao SENHOR, que passou as casas dos filhos de Israel no Egito, quando feriu aos egípcios, e livrou as nossas casas. Então o povo inclinou-se, e adorou. E foram os filhos de Israel, e fizeram isso como o SENHOR ordenara a Moisés e a Arão, assim fizeram. E aconteceu, à meia noite, que o SENHOR feriu a todos os primogênitos na terra do Egito, desde o primogênito de Faraó, que se sentava em seu trono, até ao primogênito do cativo que estava no cárcere, e todos os primogênitos dos animais. E Faraó levantou-se de noite, ele e todos os seus servos, e todos os egípcios; e havia grande clamor no Egito, porque não havia casa em que não houvesse um morto.

 Elementos do Ritual

Estado de Escravidão (Egito/paganismo)

Homem (”Sacerdote”) / Família

Oferta (Cordeiro)

Sacrifício (Assado, comido e sangue retirado)

Livramento da Ira de Deus (morte dos primogênitos)

Símbolos Especiais (molho de hissopo com sangue da oferta)

Estado na Graça (Libertação do Egito / Presença de Deus)

Este sacrifício é expiatório?

A dica está no “hissopo”.

  1. Ele é usado em diversos sacrifícios de purificação que envolvem sacrifícios pelo pecado (chata’at) no Pentateuco: Lv 14 e Nm 19
  2. Em Lv 14:19, texto que se refere à purificação da Lepra, é dito que: “Também o sacerdote fará a expiação do pecado, e fará expiação por aquele que tem de purificar-se da sua imundícia; e depois degolará o holocausto; “
  3. Em Sl 51:5-10 Davi diz: “Eu nasci na iniquidade, e em pecado (חֵטְא chet’) me concebeu minha mãe.”
  4. Já no verso 6, ele diz: “Purifica-me (תְחָטֵאנִי techatt’eni) com hissopo, e ficarei limpo; lava-me, e ficarei mais alvo que a neve.”

Davi faz um jogo de palavras: a palavra “pecado” (chet’) tem a mesma raiz da palavra “purificar” (chitta’), e da palavra “sacrifício pelo pecado” (chata’t).

Cumprimento em Cristo

Ele é o nosso cordeiro pascoal

I Co 5:8 Alimpai-vos, pois, do fermento velho, para que sejais uma nova massa, assim como estais sem fermento. Porque Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós.

Ele derramou seu sangue para que a ira de Deus não caísse sobre nós:

Rm 5:8-9 Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores. Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira.

Tal como a Páscoa, em família, e os outros sacrifícios, que envolvem comunhão/votos sobre o altar, Cristo nos fez uma família/povo reconciliado Nele. A mesa do Senhor (Seu sangue e corpo na Ceia) representa a comunhão que nos mantém juntos entre nós e entre Cristo.

1 Co 10:16-18 Porventura, o cálice da bênção que abençoamos não é a comunhão do sangue de Cristo? O pão que partimos não é a comunhão do corpo de Cristo? Porque nós, embora muitos, somos unicamente um pão, um só corpo; porque todos participamos do único pão. Considerai o Israel segundo a carne; não é certo que aqueles que se alimentam dos sacrifícios são participantes do altar?

O hissopo é “imerso” (heb.: taval) no sangue e aspergido sobre os umbrais das portas. Cristo passou por uma “imersão” de servidão e morte na Cruz, dando Seu sangue em nosso favor. Somos convidados, Nele, a fazer o mesmo.

Mc 10:38-39 Mas Jesus lhes disse: Não sabeis o que pedis. Podeis vós beber o cálice que eu bebo ou receber o batismo com que eu sou batizado? 39 Disseram-lhe: Podemos. Tornou-lhes Jesus: Bebereis o cálice que eu bebo e recebereis o batismo com que eu sou batizado;

Após a Páscoa de Cristo, fomos libertos do Egito de nossos pecados contra Deus e estamos diante dEle, livres.

Cl 1:13-14 Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor, no qual temos a redenção, a remissão dos pecados.

Gl 5:1 Para a liberdade foi que Cristo nos libertou. Permanecei, pois, firmes e não vos submetais, de novo, a jugo de escravidão.

Hb 10:19-20 Tendo, pois, irmãos, intrepidez para entrar no Santo dos Santos, pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou pelo véu, isto é, pela sua carne.

 Instituto Abba

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O SISTEMA SACRIFICIAL E A OBRA DE CRISTO – Parte II

O Estado do homem no pecado

  • A Bíblia diz que o Homem pecou descumprindo a ordem divina e foi então privado da Vida Eterna com Deus (“árvore da vida” – Gn 2:17, 3:23-24).
  • Com o pacto da preservação com Noé, Deus demonstra que Ele é o único que pode destruir ou salvar a vida dos animais e do Homem (Gn 8:21-22).
  • Como sinal desta preservação, e do afastamento da maldição do pecado, Deus requereu para si o sangue tanto dos animais, quanto do próprio Homem. Por isso o Homem não poderia comer o sangue dos animais nem tirar a vida (isto é, derramar o sangue) de outro homem de forma injusta (Gn 9:4-6), pois o sangue (a vida) pertencia a Deus, derramado para Deus no sacrifício sobre o altar (Lv 17:11). Se o Homem fizesse isso, expressaria a sua culpabilidade diante de Deus e dos homens, sendo réu de morte pela Lei.

 Necessidade do Sacrifício requerido por Deus

  • A Bíblia diz em algumas passagens que Deus se importa mais com a obediência a Ele e a Sua Palavra que sacrifícios e holocaustos (I Sm 15:22). Como visto no slide anterior, o Homem – que carrega as maldições da morte e do pecado (Gn 3:14-19) – somente teria afastadas estas maldições sobre si através do cumprimento dos mandamentos de Deus (Dt 7:12-13). Mas, como ele é pecador, sempre cairia em erro.
  • Justamente para demonstrar o estado de morte e culpabilidade por causa do pecado, Deus estabeleceu um sistema sacrificial para Israel. Os animais imolados sobre o altar, morrendo, trariam substituição ao sangue, que representava a vida, do Homem arrependido.
  • Há algumas evidências dessa substituição no Pentateuco. Uma delas é expressa pelo termo כָפַר (kafar), traduzido por “expiar” mas que significa literalmente “cobrir” algo com algum material (como o betume que cobriu a arca em Gn 6:14).
  • Outra é o significado da palavra כפֶֹּר (kofer), desta mesma raiz, que significa “preço de resgate, substituição”.
  • Por isso que, em alguns delitos, havia um preço ou um sacrifício substitutivo ao pecador arrependido, mas em outros, como o homicídio, não havia. Isso porque a substituição viria somente com a morte do próprio homicida (Nm 35:31), já que houve, neste exemplo, um atentado direto à vida e à Imagem de Deus, conforme (Gn 8-9).
  • A alma do Homem נֶפֶש (néfesh) que representa o sangue e a vida, deveria ser expiada, isto é, coberta com outro sangue (de animais) sobre o altar, o local da “aproximação” (qorban) com Deus (Lv 17:11).
  • Nos sacrifícios que representavam esta expiação pelo pecado (חַטָאת chatta’t por exemplo), havia a imposição das mãos do ofertante sobre a oferta. Na mente hebraica, as mãos representavam o trabalho, a labuta da vida. Provavelmente, o ato de impor as mãos sobre a oferta representava a “transferência” simbólica da vida de pecado do ofertante para a vida pura da oferta.

 Isaque: figura do justo sobre o altar

Isaque

Deus, sabendo que nunca haveria um substituto perfeito ao Homem pecador advindo dos animais queimados sobre o altar, antecipa a necessidade de um homem sobre o altar na vida de Isaque, filho de Abraão.

Isaque, segundo a tradição judaica, tinha por volta dos 30 anos quando foi sacrificado.

Segundo outra tradição, ele desejou se entregar ao sacrifício, pedindo a Abraão que o amarrasse firmemente para que não pudesse se soltar.

Ele foi sacrificado sobre o altar feito no monte Moriá (Gn 22:2), o mesmo no qual, anos mais tarde, Salomão iria construir o Templo de Jerusalém (2 Cr 3:1). Em orações judaicas feitas nas sinagogas em Rosh Hashaná e no Yom Kipur, até hoje os judeus fazem memória ao sacrifício de Isaque como o sacrifício perfeito que Deus aceitaria, do qual todos os outros sacrifícios foram cópia.

Jesus, o perfeito justo sobre o altar

Como visto acima, ao mesmo tempo em que Deus não aceitava sacrifícios humanos, Ele deu sinais na Torá que somente o sangue de um homem justo poderia ser o substituto pelo próprio Homem pecador.

Em Is 64:6-7 diz que nossas justiças são como trapos de imundícia. Isso quer dizer que nenhum homem poderia morrer para salvar outro do pecado.

Por isso que Deus antecipou, falando pelo profeta, a vinda de Jesus em Is 53, onde Ele é mostrado como sendo o Servo sofredor, o Justo que justificaria a muitos, que morreria pela nação de Israel. Esta morte seria uma morte expiatória e do mesmo status da oferta pela culpa ( אָשָם ‘asham).

Ele foi o único homem sem pecado (Hb 4:15) suprido pelo próprio Deus (Jo 3:16) e por isso pode entregar a sua vida como cordeiro para o sacrifício pelos pecados do mundo (Jo 1:29).

Jesus é a plenitude dos sacrifícios

Holocausto: Ef 5:2 Oferta pelo Pecado: Hb 2:17 e 7:27 Oferta pela Culpa: Is 53:10 Ofertas Pacíficas: Ef 2:14 Oferta de Ação de Graças: Hb 13:15 Páscoa Bode Expiatório Novilha Vermelha.

Continuaremos…